“A humanidade transformou-se em uma grande família, tanto que não podemos garantir a nossa própria prosperidade se não garantirmos a prosperidade de todos. Se você quer ser feliz, precisa resignar-se a ver os outros também felizes”. Bertrand Russel
Aí está uma questão para ser pensada. Vivemos em um sistema fechado, repleto de banalizações de todo tipo, e quando, de alguma forma surgem idéias ou atitudes que inegavelmente são construtivas, surge aquele que nada faz, porém critica.
Surgem críticas do tipo: “Há tanta gente passando fome, e vocês se preocupam com animais”.
Há fatores importantes a serem observados, entre eles:
- há uma infinidade de setores, ong’s, o próprio governo, fundações, entidades, etc, destinadas a cuidar dos humanos;
- a preocupação com os animais (não humanos), é relativamente recente;
- se você consegue conscientizar humanos para a importância da vida em geral, você cria humanos melhores, e assim, uma sociedade melhor.
Não há contradição. Cuidar de animais é tão importante quanto e alguém deve fazer isso.
Há um desequilíbrio que o próprio homem criou, e os animais ditos domésticos em especial, merecem um cuidado também especial. O próprio homem causou os problemas nos quais eles estão hoje inseridos.
Alguns dizem coisas como: na natureza, os animais se viram, se reproduzem, morrem, então podem ser deixados à própria sorte. Mas do que estão falando? Que natureza é essa?
Na natureza não existem recompensas nem castigos, apenas conseqüências, mas estamos na “não natureza”, e isto exige atitude, escolha, trabalho.
“As palavras nos permitiram elevar-nos acima dos animais; mas é também pelas palavras que não raro descemos ao nível de seres demoníacos”. Aldous Huxley
Somos livres e precisamos urgentemente aprender a lidar com esta liberdade. A liberdade e o poder que o homem conseguiu traz junto uma necessidade de responsabilidade. Precisamos desenvolver um senso crítico melhor e notar que a crueldade com os animais nos transforma em algo pior sempre.
Com freqüência encontramos comentários como: se o homem é capaz de abandonar uma criança, imagine o que não pode fazer com um animal, e outros de semelhante teor. Então, por que não pensamos: se o homem aprender a cuidar da vida animal, ele será melhor com o outro homem? Há lógica nisso não?
“Em tudo o que fazemos, temos em vista alguma outra coisa”. Aristóteles
O pensamento de Aristóteles não é contraditório, porém pode ser interpretado de formas diversas. Tentemos fazer o melhor com ele e transformar a vida em algo menos alienante, onde o mais importante é ter o celular que tudo faz, o computador que tudo suporta, o carro que fala, etc.
Tentemos pelo menos às vezes, ter uma visão solidária de forma generalizada, com alguma compaixão e amor por todas as coisas. Normalmente as pessoas que mais criticam são as que nada fazem.
Estamos em um momento histórico excessivamente egocêntrico. Perdemos o senso crítico de forma assustadora e buscamos soluções nos outros.
Não adianta pensar e contar com a polícia para diminuir a criminalidade. Isso somente poderá realmente acontecer com educação, com desenvolvimento, mas insistimos em apenas prender e punir.
Não adianta pensar que o capitalismo traz respostas boas o suficiente para nossa evolução, pois ele nos destruirá, pois deve se alimentar continuamente de um consumo desonesto e desenfreado.
O importante ainda é a vida e tudo o que vai contra ela deve ser limitado.
Consegue pensar na dimensão e profundidade disso? Ou a única coisa que lhe vem à mente é que o Comunismo não é algo bom?
Pense nisso!