Breve Passagem

Hoje venho aqui para falar sobre algo que nunca aconteceu comigo, mas que já presenciei com amigos próximos: a perda de um grande amigo felino.

Foram duas as vezes que vi amigos perderem seus amigos miaus para algo que estava além do alcance da medicina tratar. Não foi sem luta, sem lágrimas, sem dor, muito pelo contrário: foi sofrido, guerreado até o limite do que cabia a essas pessoas fazer, até lá naquela cerquinha onde se pode chegar. E não deu.

O primeiro amiguinho foi o gato Cachorro. O Cachorrinho foi resgatado pela Aninha e pelo Ale numa praia do litoral sul de São Paulo. Tratado a pão-de-ló, virou um baita gatão comprido e com um canguru na ascendência (rs). Um dia ele teve um dodói no olho, pouco depois parou de comer, e deste momento até o fim foram 60 dias de luta. Luta do Cachorro, luta da Aninha que acompanhei em cada visita ao hospital onde ele ficou internado mas não houve meios de tratá-lo: apesar de todos os recursos e de excelentes veterinários/equipamentos, perdemos o Cachorrinho para a FeLV.

Esse era o Cachorrinho, um mês depois de ser resgatado, fazendo a maior zona aqui em casa:

A segunda amiguinha chamava-se Catarina. A Catarina era uma gatinha miudinha, e foi a primeira filhota em quem bati os olhos num ‘abrigo’, em abril deste ano. Estava numa gaiolinha junto com mais dois, e impressionava pelo bom humor e fanfarronice. Uma delícia de gata. Em junho/2007, a Tânia se apaixonou pela Catarina, por foto mesmo, num site. Nunca teve dúvida sobre qual gatinha queria, tinha que ser a Cacá.

Esse foi o dia em que a Catarina ganhou a Tânia:[img:Catarina10_1.jpg,resized,vazio]

A Catarina não ganhou só uma mamãe dedicadíssima. Ganhou uma cama quentinha, um irmão ranzinza, ganhou um futuro como o que todos os gatinhos deveriam ter. Era uma bebéia feliz, brincalhona como sempre, ligada no 220. Porém, a Catarina sempre teve probleminhas respiratórios… Na sua última crise de asma, na sexta-feira passada (15/11), ela foi internada às pressas mas não resistiu, e o mundo perdeu um pouco da alegria e do colorido que a pequena Catarina dava a ele. Eu soube hoje da notícia e não pude deixar de chorar copiosamente, porque tinha um carinho absurdo por ela. Tenho por todos os gatos mas alguns deles são especialíssimos por N razões, e muitas vezes nem há uma razão específica, é pura empatia. E Catarina era assim, desses pequenos anjinhos que conquistam a gente sem fazer esforço, simplesmente sendo o que são.

Eu estive ao lado da Aninha quando tivemos que deixar o Cachorro ir embora, parar de sofrer sem conseguir sequer respirar sozinho mais. E a mamãe do Cachorro foi até o fundo do fim das forças e recursos, dos melhores, que se pode oferecer a um animalzinho. Ele, que foi encontrado vagando numa praia, sozinho, durante sua breve passagem de um ano e meio entre a gente soube o que era ser amado, ter comida boa e uma montanha de carinho por todos os lados. Mas doeu vê-lo ir descansar no céu dos gatos.

Infelizmente eu não estava perto de Tânia quando da partida da Catarina, mas posso assegurar que senti, hoje, como se tivesse perdido uma bebê minha. É um choro doído esse que cai agora, porque a pulguinha não vai mais deixar o Bebe mau-humorado, não vai mais fazer caquinha fora do lugar, não vai mais encher de alegria a casa da Tânia como fazia há tantos meses. Tantos? Nem tantos assim, a Cacá não tinha nem um ano ainda. E em pouco menos de um ano soube fazer, com seu jeitinho moleca bagunceira, o que muita gente passa a vida tentando fazer sem sucesso: conquistou corações, afagos, carinhos e sorrisos.

Fica aqui a minha homenagem a esses dois pequenos, e também minha homenagem aos bravos e corajosos guardiões de animaizinhos como esses, gente que é capaz de ir até as últimas conseqüências para preservar a vida desses seres que tanto amamos: os gatos.

Cachorrinho, meu afilhado, deixou muitas saudades. Cacá, querida pequeninha, deixa muitas saudades. Todo amor do mundo a vocês dois, meus amores.

Tatis.
21/11/2007

Catarina:
[img:Catarina_Capita.jpg,resized,vazio]

Cachorrinho
[img:cachorrinho.jpg,resized,vazio]



One Response to “Breve Passagem”

  1. Giselle disse:

    oi, meninas! nossa… já faz um tempo que vcs escreveram isso, mas é bem confortador para mim, pois estou num momento destes, não igual o de vcs, porque foi irresponsabilidade minha.. mas a vida segue e estou me instruindo para que o erro que cometi não se repita… ela foi e é muito importante pra mim…

Leave a Reply

Panorama theme by Themocracy