O limite da maldade humana.
Todos os animaizinhos que resgatamos são especiais. A todos a gente se apega, a todos tratamos com muito carinho e dedicamos muito mais do que nosso tempo a eles: dedicamos o que temos de mais precioso, o que nos move neste mundo: nosso amor a eles.
Mesmo assim, de vez em quando aparecem alguns que nos fazem perder o fôlego. Esses normalmente são bichinhos que, tão pequenos e novinhos muitas vezes, já conheceram o que é o abandono, o desprezo, a maldade das pessoas.
A primeira vez que eu senti isso foi quando conheci meu amado Chicão, adotado pela Luciana Naomi, do qual tenho notícias até hoje. Lembram dele?

Depois do Chico vieram alguns que marcaram muito. O Darius, o Léo, a Clara, a Marisinha… Cada um deles com histórias de abandono, maus tratos, exploração. Bichinhos sofridos já, tantos deles que tive que conquistar a confiança aos pouquinhos, num dos casos levando um par de meses até conseguir chegar perto de um deles.
Ontem eu recebi um apelo de uma protetora amiga, que atua sozinha, firme e forte. Quando bati os olhos na situação, aquilo já me gelou a espinha. O gatinho aparentemente estava bem e saudável, não fosse pelas centenas de pulgas que o bichinho trazia. O que me chocou, inicialmente, foi isso aqui:

Por este bilhete, colado à caixa minúscula onde esse bichinho estava preso, eu presumo que o infeliz que o abandonou com todo esse requinte de crueldade tenha se desfeito de um animal que estimava. Não era um bichinho qualquer, foi escolhido a dedo.
Vou explicar: a Raquel encontrou este gatinho dentro de uma caixinha plástica, tampada e vedada mas com quatro furos na tampa (para o gatinho respirar). Ele estava lacrado dentro da caixa plástica. Provavelmente é fruto de alguma oferenda dessas seitas estúpidas que acreditam que podem ser recompensados com o sacrifício de animais.
Este bebezinho de 45 dias foi condenado a morrer preso, sem comida mas com ar, dentro dessa caixa infame.
Dei a ele o nome de Seth. É o nome de um personagem (mais um rs) de uma série de TV chamada Deadwood. Na verdade o nome completo é Seth Bullock (rs) mas eu vou poupar o pobrezinho de carregar um nome que é inclusive maior que ele
Olhem só o pititico logo depois de ter sido encontrado:

Tem cabimento uma coisa dessas? Quantos mais não são resgatados a tempo, quantos a gente nem sabe que passam por isso?
Até quando será mérito olhar pra um animalzinho que sofreu isso e pensar “pelo menos não matou”? Até quando toleraremos isso, até quando ser honesto e correto será considerado virtude? Porque não, não ter matado não é uma virtude, é o mínimo! E se esse pobrezinho não tivesse sido visto pela Raquel? Estaria condenado a morrer de fome e sede, vendo todo o mundo se movendo à sua volta (porque a caixa era selada com ‘clipes’ do lado e era transparente)? Estaria condenado a morrer de frio ou afogado, sei lá, nessa chuvarada que não pára de cair em São Paulo?
Minha revolta foi tão grande quando vi esse pequeno que nem se eu tivesse que pagar um hotelzinho do meu próprio bolso ele ficaria na rua. Mas o Universo é tão sábio, tão correto e coerente que ontem mesmo doei a Jane, uma gata pretinha, e ‘abriu’ uma vaga na Ala VIC aqui de casa. Posso acolher com segurança, limpeza e qualidade 4 filhotinhos por vez, e o Seth veio para completar a turma.
E é isso. Desculpem o tom de desabafo dessa conversa toda, mas revolta mesmo, sabem? Revolta o coração, vem do fundo da alma uma fúria tamanha… Que logo se transforma em amor e carinho para cuidar dos bichinhos e mostrar a eles que, enfim, eles tem quem os respeite com criaturas divinas que são, tão divinos quanto nós.
))
Tatis.
Meu Deus to chocada com tudo isso, eu também tenho feito um trabalho voluntario, so onten salvei uma gata e seus 6 gatinhos de irem parar num poço negro, tamanha é a crueldade do ser humano. Hoje tenho em minha casa 9 gatos de rua que foram abandonados ainda bebes.
Parabéns pelo teu amor…
Um abraço
Judi.