Resgates… Cuidados necessários
Há aproximadamente 8 meses, minha amiga Zita, referência no bairro quando o assunto é animal abandonado, recebeu a visita de um pedreiro que estava reformando uma casa vazia de presença humana, mas, não vazia de VIDA. Ali estava, abandonado um jabuti, com aproximadamente 30 anos. A pergunta do pedreiro era: “O que dou para ele comer?” A família havia ido embora e deixado nosso menino lá, sozinho… Imediatamente começamos a alimentá-lo e depois de 1 mês nesta situação, resolvemos trazê-lo para casa. Como jabutis são animais que vivem em bandos, trouxe para ser companhia da minha Cesa, minha jabuti de 25 anos. A paixão cresceu entre os dois e vivem juntos, aqui em minha casa, há 8 meses, sim 8 MESES, não são 8 dias, nem 8 semanas.
Ontem a Zita recebeu a ilustre ligação da dona anterior do Jabuti pedindo a posse dele, pois sua neta de 3 anos pede ele de volta. Ela deve fazer isso com algum brinquedo que não encontra na casa.
Pelo fato de não esta mais com a Zita, esta informou onde estava e a ligação veio parar aqui (telefone encontrado na lista).
Lógico, nossa resposta foi NÃO.
Aproximadamente às 18:30, quando recebemos um telefonema de uma senhora extremamente grossa, a mesma, que inclusive disse que nossa casa fedia por conta dos gatos, e que sentia o cheiro ruim deles lá da casa dela:
-Alô, quem ta falando?
- Com quem a senhora gostaria de falar?
-Tadeu
-Pois não, é ele quem está falando.
-Tô indo buscar minha tartaruga.
-Não vou devolver, ele estava mal tratado
-Minha neta está perguntando dele
-Tartaruga não é brinquedo para criança
-Vou chamar a Polícia
-Pois chame, estou esperando
Tadeu desligou
Meia hora depois, esta mulher fez um escândalo horroroso na porta de casa, Tadeu não exitou, não atendeu e chamou a polícia
Todos na delegacia. Quer dizer, todos uma ova, pq a mulher foi embora, deixando o marido representar a mediocridade humana sozinho.
Depois de horas, chega o delegado, ouve tudo e tenta ponderar algumas coisas. Estava claro para ele que cuidamos muito melhor do jabuti do que eles, mas erro nosso. Foi o pedreiro quem nos entregou o animal, não fizemos B.O, não fizemos sequer uma queixa para que tivéssemos alguma base. Perante a lei, estamos errados. Ética e moralmente certos, porém perante a lei nos apropriamos de algo que não era nosso.
Foi colocada toda a dificuldade em sermos tratados com respeito pela polícia, nós, que falamos por eles (os animais) que vivem sob leis desconhecidas, mas que são obrigados de maneira marginalizada a obedecê-las. O bem estar dele, não tem nenhuma importância, é como se tivéssemos tirado do jardim deles uma mangueira de molhar plantas ou uma pá qualquer, o fato de se tratar de uma vida, perante a lei, sem um documento, não tem importância nenhuma, e por causa disso, perderemos a guarda do jabuti. Será feito uma documentação que nos dará direito de visitá-lo ou trazê-lo para junto de sua companheira algumas vezes, e só isso.
Devo acrescentar que o delegado nos tratou muito bem, escutou nossas queixas e acreditamos que algo ainda pode mudar, e que atitudes como esta precisam acontecer com uma maior regularidade, mas valeu o aprendizado:
bAO RECOLHER UM ANIMAL, PRINCIPALMENTE QDO ESTE MESMO ANIMAL FOR DE RAÇA OU UM TIPO SILVESTRE COMO NOSSO QUERIDO JABUTI, FAÇAM UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA. LUTE PARA QUE ISTO ACONTEÇA. NÃO SE ESQUEÇA DO LAUDO DO VETERINÁRIO SOBRE AS CONDIÇÕES DE SAÚDE QUANDO RESGATADO. TENHA A POSSE LEGAL DESTE ANIMAL.b
Como se já não bastasse todo o trabalho e as dificuldades financeiras e psicológicas que enfrentamos diariamente, agora temos que nos precaver dos “abandonos arrependidos”.
Fica aqui minha indignação perante mais este caso. Hoje silêncio do lado de lá. O Jabuti fica aqui até acabar a época de hibernação.
Após uma aula de como tratar do jabuti, o delegado disse para o outro senhor:
-Vê se aprende com eles a cuidar do animal!
Meu jabuti nao came nada !! em sequer tomate so que come raçao