Sempre que posso venho aqui falar sobre assuntos relacionados mais comumente aos gatinhos. Percebi que a maioria dos meus posts e artigos, ainda que relevantes, são muitas vezes motivados por situações negativas.
Meu artigo sobre adaptação foi redigido quando da devolução de dois gatinhos nossos por razões que poderiam ter sido contornadas.
Meu artigo sobre como escolher um gatinho também baseou-se numa situação estressante em que por mais que eu explicasse à pessoa por que ela não deveria adotar aquele gatinho muito bebê tendo crianças pequenas em casa, ainda assim ela não arredava o pé – e passei por rude, porque não doei o gatinho.
Este de hoje é um artigo para as pessoas que fazem um trabalho como o nosso. Pessoas que resgatam como podem, castram, cuidam, doam. Este artigo tem a intenção de animar vocês, principalmente quem às vezes se desespera quando percebe que algo não está saindo como deveria: gatinho demorando a ser doado, grana curta pra cuidar dele, um dodóizinho que custa a sarar.
A satisfação de doar decentemente um bichinho é indescritível. Satisfação por todo o contexto sobre o bichinho, mas também quando vemos alguém se adequar e adequar a casa para receber o bichinho. Quando vemos que a pessoa compreende que é preciso oferecer segurança, que as telas são indispensáveis. Que a ração precisa ser adequada, que o bichinho precisa de seu tempo para reconhecer aquela casa como a dele.
Quero falar hoje sobre precisamente três doações: uma foi a da Sunny, hoje Frida, adotada pela Alessandra e Adalberto há um ano, a outra foi a Gladys, hoje Mingau, adotada pela Renata Zuliani e por último a adoção de hoje, a Mariana, adotada pela Gláucia, Sandro e seus filhos lindos.
Alessandra e Adalberto conheceram a Sunny quando buscavam um gatinho com alguma deficiência pra adotar. Foi amor à primeira vista, uma adoção relâmpago e incrível. Nunca perdemos o contato com eles, que sempre estiveram envolvidos com algumas ações felinas. Uma delas foi o resgate de uma mamãe branquissima e seus dois filhotes igualmente brancos – isso além de a partir de então sempre oferecerem lar temporário pra gatinhos nossos; mais que adotantes e mais que amigos, ambos são também, hoje, nossos colaboradores. Castramos e doamos todos, e a última foi a mamãe Gladys que ficou com a Ale por quase seis meses até que a Renata a adotou.
A Re é minha conhecida de longas datas de comunidades sobre felinos no Orkut. Ela reservou a Gladys durante quatro meses e nunca titubeou. No prazo certinho, lá fui eu e Gladys pra casa nova: uma gata adulta que fora socializada pela Alessandra, mas que não era lá muuuito chegada em outros gatos.
Na casa da Re, antes de falar sobre a ’situação felina’ em si, preciso falar sobre a parte boa (também!) em doar gatinhos: quando cheguei na casa da Renata, já noite tarde, lá estava prontinha esperando por nós uma mesa com um delicioso café-da-noite! Pãozinho, café fresco, suco, uma delícia. Quer coisa mais legal do que fazer o que a gente gosta e ainda receber uma refeição tão gostosa? Rs acreditem, isso acontece muito! Costumo dizer que a melhor parte de entregar um gatinho é tomar um café na casa do adotante
Enfim, Renata e marido aguardavam a Gladys com ansiedade. A gatinha da casa, Ricota, a criaturinha tigrada mais oferecida do mundo, até que aceitaria a Gladys numa boa se… Se a Gladys estivesse a fim rs
Munidos de toda a paciência do mundo puderam proporcionar à nossa branquela um lar definitivo onde ela é amada e tem suas limitações respeitadas como deveria ser com qualquer criatura. Jamais poderei agradecê-los por isso, e é o máximo perceber que tudo começou de uma sementinha pequenininha: o resgate de uma gatinha amputada que achou um lar e nos apresentou um casal de amigos que também fazem o que a gente faz.
O terceiro caso foi o de hoje, a doação da Mariana. De uns dez dias para cá tenho recebido muitos comentários, via de regra negativos, de pessoas que nos insultam dizendo que deveríamos cuidar de crianças e não de bichos, que é absurdo que empenhemos nisso tanto tempo e dinheiro sendo que tantas crianças passam fome e não tem um lar.
Não escondo o que penso sobre isso: acho que quem realmente ajuda de alguma forma, nunca critica o foco de outra pessoa que ajuda. Simplesmente faz sua parte e compreende que há oportunidades de ajudar a todo momento, a quem quer que seja. Mas sabem quando as críticas vem todas tão juntas que chegam a aborrecer? Foi isso o que aconteceu.
Veio então, para coroar o final de semana e toda essa trabalheira diária que temos com os nossos bichinhos, a adoção da Mariana. A Glaucia tem três filhos adotivos, três criaturas lindas e amadas. Além das crianças adotadas, ela também ajuda a manter um blog lindo sobre adoção tardia de crianças (http://www.adocaotardia.blogspot.com/).
Hoje, ao entregar a Mariana na casa dela (como faço com todos os que dôo), não bastasse o sorriso e alegria imensos da Luana ao ver sua gatinha, Glaucia me disse o quanto admirava o nosso trabalho. O quanto achava bacana isso. Acho que ela nem sabe, mas aquelas palavras vindas de uma pessoa que trabalha com isso- mas que mais ainda adotou crianças – vieram como um bálsamo. Se alguém a quem respeito – porque faz – acha que fazemos um trabalho decente, penso que é isso o que deve ser disseminado: que quem faz, não olha a quem faz. Simplesmente faz, e não o faz por piedade: faz por sentir-se parte do Universo, faz porque isso alegra a alma. Faz porque é genuino.
Então hoje esse artigo foi movido pela alegria em não só doar gatinhos, em não só pela satisfação de ver as carinhas deles quando estão nas casas novas em segurança. Não só porque sou viciada na substância que meu cérebro libera quando tiro um animal de perigo, trato dele e depois ele segue pra vida nova.
Esse artigo foi movido principalmente para dar vazão à minha gratidão e ao meu agradecimento sem fim a essas pessoas que tornam possível o nosso trabalho. Não somente as que nos dão todo o enorme suporte para que a coisa toda aconteça, mas àquelas que abrem as portas e o coração, recebendo nossos resgatinhos, e assim permitindo que continuemos.
A essas pessoas que muito mais do que adotantes, tornam-se nossos amigos.
A vocês queridos, hoje, nosso enorme obrigada por tudo o que tem sido e representado ao longo desses 18 meses de Confraria.
OBRIGADA!!
Tatis.
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