Dia cinza.
Oi Pessoal,
Não faz muito tempo eu coloquei aqui um texto da minha irmã que perdera seus dois cães amados. Hoje me dói vir aqui fazer mais ou menos a mesma coisa, mas vindo de minha outra irmã. Não é menos doloroso ou sofrido, é um rombo enorme que fica cada vez que perdemos um amigo… Desta vez foi o Lucky, um Pastor de Shetland que esta manhã perdeu a vida pra um tumor imenso no tórax, mas ganhou mais ainda nosso amor, nosso respeito e toda a compreensão que passamos a ter depois de conviver com ele.
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Depoimento da Luciana, dona do Lucky.
hoje quero apenas prestar uma homenagem a meu Lulu, que nos deixou, mas que tanto nos ensinou em sua curta jornada…
Foi incrível… no primeiro dia de convivencia já tínhamos a sensação que nos conhecíamos de longa data. Foi no dia 10/01/04. Lucky então com 8 meses, e eu com uma vontade incrível de praticar agility de forma competitiva. Já competia, amadora, com minhas meninas, mas queria um cão que gostasse de agility. Que sentisse paixão e levasse o esporte a sério. E veio o Lucky. E era uma vontade, uma paixão, algo inexplicável. E como se não bastasse apenas isto, nos entendíamos apenas com um olhar. Desde o primeiro dia em que estivemos juntos, do primeiro minuto, este cão já se dedicava a mim. Obedecia mesmo sem precisar mandar, realizava comandos, entendia o que eu dizia quando precisava que ele ficasse quietinho em algum lugar me aguardando. E assim foi. Ele era capaz de ficar um dia todo dentro de uma caixa de transporte, quietinho me aguardando, se eu lhe dissesse que voltaria logo. Aprendemos juntos a praticar o agility competitivo, juntos mesmo. Éramos dois iniciantes. Vieram os campeonatos e as vitórias, uma atrás da outra, com pequenos deslizes no meio, 100% das vezes por erro ou desatenção minha. O Lucky foi sempre perfeito. Sob sol forte, frio de rachar, chuva, na pedra, lama, brita, grama sintética… nunca importou. Só importava nós dois juntos nos divertindo em pista. Nos divertimos muito, viajamos muito, brincamos muito juntos…. tudo só tinha sentindo se fossemos pra nós dois juntos.
E foi assim até o início de 2008, quando por motivos de saúde, eu tive que deixar de competir. Quis que ele competisse com outra pessoa, amigos , mas não deu. Éramos nós, ninguém faria nada sem o outro. Paramos então por completo com o esporte. Eu por doença, ele por lealdade e devoção.
E em casa, fora das competições, éramos devotados um ao outro. Um cão absolutamente confiável, tranqüilo, dócil; o cão perfeito. Nunca fez um xixi fora do lugar, nunca destruiu um móvel ou brinquedo, nada.. nada mesmo que pudesse torná-lo menos perfeito do que era.Readaptamos nossa vida a uma nova realidade, sem esporte, em casa e o que parecia que seria difícil e sem sentido ficou longe disto. Ele continuou a me seguir pela casa, todos os meus passos, a me trazer o brinquedo e colocar sobre minhas pernas pra eu me alegrar com a brincadeira sem precisar fazer nenhum esforço.
Mas, por conta de algo que nunca entenderei e não há ninguém neste mundo capaz de me fazer compreender, ele começou a cansar facilmente, já não havia mais a mesma vivacidade de antes… Mal conseguia completar nossas caminhadas diárias , que tanto adorávamos. Foram 7 meses tentando saber o porquê, até termos o definitivo diagnóstico de neoplasia em toda a região do tórax, já num estágio em que nada além poderia ser feito , do que deixa-lo confortável e seguro.
E mesmo muito mal, sem sequer conseguir levantar sem que suas pernas falhassem, sem conseguir respirar por menor que fosse o esforço… mesmo assim ele me seguia, carregando-se pela casa pra me acompanhar. Mesmo com toda sua dor, fazia xixi se eu pedisse, deitava se eu pedisse e fazia um tremendo esforço pra comer um pouquinho que fosse, apenas porque eu estava pedindo.E hoje, 09/03/09, finalmente ele conseguiu o descanso que merecia. Calmo, tranqüilo, forte e disciplinado como sempre foi ele nos deixou.
Não tenho nem palavras pra expressar meus sentimentos agora, mas as lições que este cão deixou pra quem teve a honra e o prazer de conviver com ele foram incríveis e inúmeras.Mostrou-nos o verdadeiro significado da palavra amor incondicional, lealdade, devoção, força e coragem, além de tantas outras coisas. Muitas.
Vá em paz Lulu, meu cachorro, meu campeão, meu querido. Eu nunca mais serei a mesma sem você por perto. Esteja certo que parte de mim foi contigo hoje.
Te amo e sempre amarei, aqui e em qualquer lugar que estejamos. Enquanto estiver neste mundo, procurarei viver praticando o que me ensinou com sua simplicidade canina.Obrigada por tudo, meu Lucky!
Até um dia.
Lú, querida
Acredito que saiba o quanto sinto por tudo isso…e essa é uma das coisas da qual ngm nunca poderá nos explicar…não com um cão como Lucky.
Imagino que hoje ele esteja bem, descansando e fazendo o que gosta..pq é assim que tento me lembrar sempre dele.
Sei qual é sua dor e o quanto essa perda custa e nos causa, mas vamos nos lembrar dele por tantas coisas e por tanto tempo que essa dor vai embora e ficarão as lembranças linds dele.
Força!
te amo Hermanita
bjs