É a isso que chamam Amor?
É, hoje o post não é o que a gente pode chamar de bacana.
Todos esses anos de trabalho nos dão ‘alguma’ propriedade para pressentir algumas situações, ainda que elas sejam negadas por quem a provoca/provocará. Temos um desconfiômetro monstruoso quando notamos que algo está errado, quando sentimos aquele cheiriiiiinho de algo errado no ar.
Há perto de 45-60 dias doamos dois gatinhos em conjunto: Tequila e Estéban. Não eram irmãos, mas foram juntos e se deram super bem. Dois bebês lindos, dois meses cada um, se tanto. Se deram super bem na casa, o adotante era bacana, preparou a casa para receber os dois e nos pareceu muito satisfeito com eles.
Há 3 semanas tivemos aquele problema com giárdia por aqui. O adotante desses bebês nos contatou alegando que a fêmea estava com darréia, então já ficamos de cabelo em pé. Só então soubemos que o adotante tem um problema de saúde bem sério e crônico, então nos dispusemos a cuidar dos bebês até que eles estivessem bem e pudessem voltar ao lar.
Pois bem. As semanas se passaram e o adotante nos ligava perguntando dos gatinhos, e o fato é que eles já tinham recebido alta há dez dias e eu queria devolvê-los ao dono, já que estavam em gaiola (grandona) para não estressar nem os outros, nem a eles. E marcamos com o adotante, e nada… Mesmo assim, em todas as conversas dava certeza de que ainda queria os bebês. A Tequila, sábado passado, teria sido adotada caso estivesse disponível – menos mau que o Seth acabou ganhando uma casa, mas até aí…
Quem veio às visitas aqui no LT conheceu os dois gatinhos. No sábado falei com o adotante que não podia receber os gatinhos naquele dia, e então pedi que fosse no domingo. Frisei que estavam em gaiola. Domingo também não podia (nem se eu levasse), então queria na segunda-feira. Antes de finalizar a ligação eu perguntei com todas as letras: AINDA VAI QUERER OS GATINHOS? Ao que ele me respondeu que sim.
Na segunda-feira passei a tarde toda aqui no LT, e nada do adotante. Fiz o que deveria ter feito há muito tempo: soltei os gatinhos com os outros, e todos começaram a brincar imediatamente. Desativei a gaiola (quem me conhece sabe do horror que tenho a gaiolas).
Na terça enfim o cidadão veio até aqui e eu vou poupar vocês da conversa. O duro de pessoas que tratam assuntos sérios desta maneira é que elas acham que só elas tem desculpas. Que nunca ouvimos nada tão manjado antes, e pior que isso, que acreditaremos. Uma das alegações é que os gatinhos poderiam ter uma doença ‘altamente contagiosa’ que prejudicaria o adotante – segundo ele, recomendação de sua médica. A outra, que foi ameaçado e se mudará para uma kitinete no centro da cidade e o espaço é pouco (oi? que o diga a Kelly, que mora da mesma forma e cuida melhor do que ninguém do Brad & Derrick), a outra que o companheiro só quer um gato… Os bebês ficaram alucinados quando viram aquele que achavam que era seu dono, e não tiveram nem um afago como retribuição. Conclusão?
Precisamos buscar um novo lar aos dois.
Eu queria deixar claro que o problema não é devolver. Não é acreditar em papai noel, nem achar que eles realmente poderiam contaminá-lo. Nada disso. O problema foi ter deixado os gatinhos FORA DE DIVULGAÇÃO por mais de 20 dias, foi não ter dito a verdade pra gente há tanto tempo. O que mata é saber que os únicos inocentes nessa história ficaram 30 dias em gaiola por que mesmo? Por nada.
É a isso que chamam amor? Desse tipo de amor, eu quero distância. Depois as pessoas ainda reclamam que temos muitas exigências pra doar, que deveríamos abrir mão de algumas coisas… Se sem abrir já acontece isso, imagine se abrirmos!
São esses dois aqui:

Eu queria entender como uma pessoa pode dormir sabendo disso. Como muita gente sabe, eu já estive em situações de saúde complicadíssimas, já estive em coma não sei quantas vezes, e por muitos meses vivi como paciente terminal. Jamais abri mão dos meus gatos, porque EU escolhi estar com eles. EU assumi a responsabilidade por eles, e se continuei neste mundo foi muito pela força que eles também me deram.
Isso muda algo? Não. Como disse, a pessoa tem o direito de não querer conviver com animais principalmente sabendo que tem um problema de saúde. Neste caso:
Opção 1: NÃO ADOTE!
Opção 2: DIGA PRONTAMENTE QUE NÃO QUER EM VEZ DE POSTERGAR UMA DECISÃO QUE JÁ FORA TOMADA HÁ SEMANAS.
É revoltante, gente. Revoltante.
Contamos com a ajuda de vocês para encontrar novos lares aos dois bichanos. Eles não precisam ser adotados juntos.
Obrigada!
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