Dois é sempre melhor do que um!

A gente sempre diz isso, né?

Esse vídeo foi feito ontem em casa. Quando fui limpar o LT de casa, o Zen (resgatinho para adoção) escapou por baixo das minhas pernas. Dois segundos depois ele já estava com o Roberto que é meu gato!

Cinco minutos e… Eis o que eles ficaram fazendo.

Não é lindo?

Você que tem só um gato, faça um favor: tenha dois! =o))

Saldo de hoje: 24 medulas cadastradas, 13 doadores de sangue

Sucesso TOTAL!!

Qualquer palavra superlativa para definir o dia de hoje é pouco! Superamos todas as nossas expectativas e com o empenho, solidariedade e empatia de MUITA gente, levamos hoje mais de 40  pessoas ao Hemocentro da Santa Casa de São Paulo.

Dessas, 24 cadastraram-se como doadoras de medula e 13 doaram sangue. Foi demais, gente!

A proteção animal unida e mostrando que também se importa com as pessoas foi emocionante. Até agora quando lembro fico tocada. Um dia inteiro, muitas fotos, conversa bacana com gente de primeira e, claro, uma montanha de solidariedade.

Tomei a liberdade de fazer um painel com algumas fotos dos que compareceram, mas vou deixar aqui expresso os nomes de cada um.

Renata e Carlos, Cris, eu, Mila e David, Juliana Preto e Claudio, Merry Hellen, Dani Sinhorini, Adriana Tscherniev e seu pai, Augusta, Fowler e Tereza Braga, Jessica e amigos, Vivi, Claudia e Antonio, Rosana, Li, Tania, Leandro, Rosana 2, Aline e Rafael, e muitas pessoas mais que eu certamente esqueci, mas não posso deixar de agradecer.

Muito obrigada por acreditarem na gente, na causa, e mais do que isso, por terem tamanha empatia com o restante do mundo. Somos parte de um TODO, e é muito importante quando nos damos conta disso.

Um grande abraço e até a próxima campanha!!

Equipe Confraria.

I Campanha de Doação de Sangue e Medula Óssea da Confraria - 24/07/10.

Oncinha? Que nada…

Oi pessoal!

Em fevereiro resgatamos algumas oncinhas, lembram-se deles? Eram 4 filhotes tão ariscos que subiam pelas paredes (literalmente) quando chegávamos perto.

Há 3 meses nós tomamos uma decisão pra tentar reverter esse quadro:  separamos os irmãos. Dois ficaram comigo e dois foram pra casa da Adriana.

As duas que estavam comigo (Louise e Aninha) foram doadas já. Melhoraram bastante, ficaram mais integradas e claro tiveram a ajuda de alguns gatinhos bonzinhos que temos por aqui (rs). Os que foram pra Adri foram Thelma e Novak. Depois de três meses, olhem só como eles estão:

Não é INCRÍVEL??

Como diz uma grande amiga, essa é a terapia do amor… O resultado só podia ser esse!

Desta forma, os queridinhos já estão disponíveis para adoção.  Depois de todo esse trabalhão, empenho e paciência da Dri e claro, da melhora deles, o mínimo que a gente pode fazer é achar uma casa legal pros dois!

‘Bora?

Contamos com todos vocês, muito obrigada!

Quem vai ficar com… Gigi!

Se você quer ter apenas UM gatinho em sua casa, Gigi é a gata que você procura!

Veja abaixo um vídeo da Gigi brincando e confira mais informações sobre ela. Ao longo deste texto há fotos, confira!

Gigi, ou Gyca, veio parar nas mãos da Confraria de um jeito meio complicado (para saber tudo, clique aqui e leia o post da Tatis).  Agora, vamos deixar a Gigi falar um pouco de si para vocês a conhecerem!

Oi! Meu nome é Gigi! Tenho cerca de 2 anos, estou castrada, vacinada e pronta para um novo lar! Sou uma gata charmosa, muito amorosa e brincalhona, adoro estar com as pessoas. Só tem um detalhe: não aceito a companhia de outros gatos, prefiro ser filha única! A maioria dos gatos gosta de ter um companheiro felino, mas eu quero uma família só para mim.

Os tios que cuidam de mim passam o dia inteiro fora, trabalhando e cumprindo seus compromissos, então eu fico sozinha por muito tempo, mas me viro bem! Brinco, como, durmo, vejo a cidade pela janela, passeio pela casa e, claro, como todo gato, gosto de subir nas coisas… mas sou muito educada, não estrago nada na casa. Não arranho o sofá dos tios e nao derrubo os enfeites de vidro da tia!

Sei o que é brinquedo e o que não é. Só não resisto aos tapetinhos da casa, gosto de pular em cima deles e fazer de conta que vão me atacar também! Afio minhas unhas num tapete grosso, tipo um arranhador horizontal, e nunca arranho o sofá. Gosto de me esconder atrás de cortinas, só esperando alguém vir brincar comigo. Adoro brincar de luta e com tirinhas, é só balançar uma para mim! Também gosto de atacar ratinhos de brinquedo, dormir junto das pessoas e ficar sentada aos pés de quem está vendo TV.

Preciso ser adotada por alguém que não tenha outros animais. Em troca, prometo dar muito amor e companhia à minha nova família! Não preciso de muito para ser feliz. Só de alguém que me ame de verdade e queira chegar em casa, ao fim de um dia de trabalho, e ser recebido com muitos denguinhos, prrrrs, miaus e prrrrmiaus e relaxar brincando com sua gatinha… eu!

Será você esse alguém?

Se deseja adotar a Gigi ou conhecê-la sem compromisso, fale com a gente! Escreva para tatiana@miadoselatidos.com.br ou camilailustradora@gmail.com

Depoimento: Antes de devolver, aprenda a amar!

Oi pessoal,

Hoje vou publicar o depoimento da Joana Bortolozzi, mamãe do Tarso Augusto.

Fiz a leitura na comunidade do Orkut Gatos – Manual de Instruções e achei incrível, uma bela reflexão sobre o que realmente envolve uma adoção – ainda mais quando observamos devoluções esdrúxulas como essa e essa. Espero que vocês gostem!

Obrigada e até mais,

Tatis.

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Antes de DEVOLVER aprenda a AMAR!
Por Joana Bortolozzi

Bom gente, eu resolvi criar esse tópico para contar a história do meu filho porque, assim como ele, que já havia sido adotado e devolvido, muitos outros gatos acabam voltando para jaulas e até para a rua por que muitas pessoas não têm paciência para ensiná-los, ou quem sabe, não têm amor o suficiente para esperar que eles aprendam.

Tarso é o nome dele. Tarso Augusto é como o chamo quando ele apronta.

Conheci meu pequenino há quase 1 ano. Ele era filhotinho e havia acabado de chegar no Pet Shop depois de ter sido tirado da rua todo machucado. Medroso, me lembro que ele tinha a patinha com algum probleminha pois saia sempre do lugar e já apresentava seqüelas das crueldades cometidas contra ele, pois não tinha muita coordenação e o olhinho esquerdo chegava a aparecer quase todo o branco de tão vesgo que era.

Quando eu levava a Chayla, minha Persa, na Dra. Juliana, lá estava o Tarso na jaulinha todo pequeninho. Meu coração doida ao vê-lo junto com um outro gatinho que também havia sofrido nas mãos de algum psicopata e não poder levá-lo.

Minha mãe já havia surtado quando apareci com a Chayla em casa (um apartamento grande, mas onde já moravam duas cadelinhas), então outro gato estava fora de cogitação, mas mesmo assim, ela decidiu ajudar e todo mês doávamos uma quantia fixa para que ele e todos os outros, tivessem a melhor vida que poderiam dentro das jaulinhas.
Eu continuava indo ao Pet para levar a doação mensal, jornais velhos e o que mais eu pudesse comprar para ajudar e ele sempre estava lá, bastante brincalhão, apesar de um pouco arisco.
Os meses foram passando, ele cresceu e como estava difícil para ser adotado, (quase 1 ano, preto e com problemas mentais) acabou indo para os fundos, dando lugar aos novos que chegavam e ficavam nas gaiolas da frente e como não o via mais, imaginei que tivesse sido adotado e naquela coisa de “O que os olhos não vêm o coração não sente”, decidi nem perguntar sobre ele e assim foi, até que um belo dia, ele estava de volta as jaulas da frente e isso me deixou muito chateada e resolvi perguntar por que ele estava de volta.
Ele já havia sido adotado e uma semana depois, devolvido por que dava muito trabalho. Fazia as necessidades em todo e qualquer lugar da casa, unhava e quebrava tudo, então, a única solução foi “despachar o bicho de volta”, como uma mercadoria que não era o esperado.
Aquilo me revoltou tanto que naquele dia, cheguei em casa “soltando os cachorros” e contei o que havia acontecido pra minha mãe e para minha surpresa ela disse: Traga ele…Mas, ele tem três dias para se adaptar.

Hã? Como assim 3 dias? Ele não se adaptou em 1 semana, como vai se adaptar em 3 dias?

Admito que fiquei morrendo de medo, mas mesmo assim, peguei a caixinha da Chayla e parti com minha prima para o Pet adotar o Tarso.
No Pet, ninguém acreditou e a alegria foi geral. Correram para arrumar o Tarso, dar banho, cortar as unhas, mas…Ele havia pegado um fungo na cabeça e como eu já tinha outras três filhas, a vet achou melhor tratá-lo lá mesmo para que as outras crianças não pegassem.
- Tudo bem! Quanto tempo?
– 2 meses!
Só podia ser sacanagem, mas era o melhor.

Durante 40 dias, eu fiquei indo até lá para vê-lo todos os dias e entrava em desespero quando chegavam os domingos e o Pet não abria. Feriados então, eram pura tortura.
No começo ele era um chatinho. Eu tentava pega-lo, mas ele não vinha comigo de jeito nenhum. Eu podia deixar a portinha da jaula aberta que ele não saia de tanto medo que tinha. Eu me sentava de frente pra ele e ficava conversando e fazendo carinho, até que um belo dia, ele saiu direto pro meu colo e se deitou.
Meu coração quase saiu pela boca de emoção. Ele não tinha mais medo de mim, ele confiava em mim.
Eu mal chegava e ele já estava pronto, me esperando para segura-lo e fazer carinho.
Acho que o pessoal já estava quase colocando uma jaulinha pra mim também, até que finalmente a Vet me deu uma ótima noticia: Tarso já poderia ir embora, mas ainda tinha que manter o tratamento em casa.

Gente, eu não sei dizer o que eu senti. Eu havia esperado tanto tempo por aquele dia e eu estava morrendo de medo. Medo de sei la, ter que devolve-lo, dele não se adaptar ou das meninas não se adaptarem a ele. Minha mãe tem um monte de enfeites pela casa, e a dona Chayla já havia feito o favor de quebrar o cinzeiro de cristal caríssimo da minha mãe naquela mesma semana. Eu tinha certeza que ele faria pior. Eu tinha certeza que ele quebraria a casa inteira, mas eu avisei: Não vou devolve-lo de jeito nenhum! Nem que eu tenha que sair de casa e ir morar em baixo da ponte com o meu filho. Ele é meu!

Finalmente ele foi pra casa e durante duas semanas ficou limitado ao meu quarto, que já era um pouco maior do que a jaulinha que ele viveu por quase 1 ano, mas pequeno demais para abrigar um gato, uma casinha (mansão na verdade), pratos de comida e a litera que fedia absurdamente duas vezes ao dia (nunca vi um gato fazer tanto coco e tão fedido).

Dava nervoso do desespero dele sempre que alguém entrava no meu quarto. Ele não sabia se entrava na casinha, se ia pra debaixo da cama ou se entrava em alguma tomada, mas ele só se acalmava quando me via ou ouvia a minha voz.
A Chayla não podia vê-lo que se ouriçava inteira. A gorda chegou a ficar entalada no portãozinho que colocamos na porta, ao tentar invadir meu quarto atrás do coitado do Tatos e ele entrava em pânico quando as cachorras conseguiam entrar.

Bom, essa loucura durou 2 semanas e eu o agüentei pulando em mim pra brincar às 2h da manha, acordei todas as noites para retirar o cocozinho fedorento e voltar a perfumar meu quarto e o saldo da destruição foi: 1 perfume Jean Paul Gaultier, 2 porta-retratos, 1 aparelho de DVD e alguns sustos na madrugada. Isso foi nas duas únicas vezes que ele pulou em cima da minha estante e arremessou tudo no chão e em apenas dois berros, ele aprendeu que ali não é lugar pra brincar. Não sei se ele entende que “Tarso Augusto” significa “Não se atreva a fazer isso”, mas é só o que eu digo quando ele se preparava para pular, o que nem acontece mais.

Hoje, quase 1 mês depois (apenas), Tarso é a alegria da casa. Minha mãe, que não o queria, já chega perguntando onde esta o “feioso da vovó”.

Ele atormenta as cachorras tentando pegar os cotocos de rabo delas e a Chayla ganhou um companheiro de aventuras e corridas noturnas…Hum, diurnas e vespertinas também – inclusive, nesse momento, acaba de passar um gato preto correndo no corredor…E agora um marrom…

O coco mudou de lugar (graças a Deus) e foi para a área junto com a liteira da Chayla, o portãozinho já sumiu, a casa esta inteira e nada de anormal foi detectado, a não ser o sofá da minha mãe que apresenta alguns fiozinhos puxados, mas que ninguém pode provar que seja ele, já que a nossa gatinha que morreu, a Natacha, nos deixou alguns de herança.

Enfim, bastou apenas algumas doses de paciência, atenção, carinho e de muuuuito amor, para que ele aprendesse e entendesse que nada do que ele pudesse fazer, seria o suficiente para me fazer mudar de idéia e devolve-lo ao Pet.

A Dra. Juliana disse uma vez: – Ele era pra ser seu mesmo!
Eu concordo e ainda digo que não fui eu quem o escolheu. Foi ele quem me escolheu!
Tarso Augusto é a minha vida e mesmo com probleminhas mentais decorrentes dos maus tratos que viveu, ele é absolutamente perfeito!

Se ter uma criança “especial” é maravilhoso, ter um gato “especial” é divino!

ESSE É O TARSO AUGUSTO!!!

Eu sei que o texto ficou grande, mas quando a gente escreve com o coração não tem jeito de resumir e mãe é assim mesmo, né?!

Está chegando o grande dia!

Sua presença é muito importante! Participe, faça a diferença!

Compareça!

Sábado a mil por hora!

Oi Pessoal!

Nosso final de semana foi tão agitado que não pude publicar no sábado à noite, como é de costume, o painel com as fotos das visitas ao nosso LT. Aliás, que alegria enorme é saber que quem comparece pergunta sobre o painel, para que eu não me esqueça de colocar. Muito legal isso!

Este sábado (17/07) foi um dos dias em que mais recebemos visitas desde que estabelecemos um dia fixo para isso. Curioso é que o tempo estava feio, chuvoso, mas isso não impediu que os amigos comparecessem em peso!

Os primeiros a chegar, junto com a Re (às 13:30h) foram Erika & Thiago que trouxeram seu Cirillo para castrar no Dr. Bruno. Já está tudo certinho e o branquelo que ganhou um lar definitivo está devidamente esterilizado, prontinho pra ser feliz pro resto da vida.

Logo em seguida veio o Rodolfo (o adotante da Pipoca, lembram  dela?) para além de conhecer de pertinho o nosso trabalho, trazer uma caixa de transporte muito legal e algumas coisinhas para gatos.  E aí começou toda a agitação!

A caminho do nosso LT o Rodolfo viu uma gatinha atropelada no meio da rua. Soube no local que uma senhora tinha jogado água na bichinha para espantá-la, então ela correu pra rua e foi atropelada. Nem pensou duas vezes, como negar socorro a um bichinho naquele estado? Deu trabalho porque ela mordeu e arranhou, mas ele conseguiu capturá-la, me ligou e veio pro LT, de onde nos aprontamos para ir ao vet.

No momento em que estava saindo do LT para o veterinário, chegou uma grande amiga que finalmente veio conhecer nosso trabalho! A Luciane Pirez veio junto com sua irmã e uma amiga e foi muito legal primeiro porque sou fã número 1 da Lu, ela é uma artista como poucas e como ninguém mais ela é capaz de trazer o olhar dos bichinhos para seus desenhos. Para quem não conhece, essa aqui é uma amostra do trabalho genial que ela faz:

Todos os direitos reservados.

Há muito tempo queria recebê-la no nosso LT, e no dia em que deu certo eu estava apuradíssima com a gatinha atropelada! Não tive outra alternativa senão voar para o vet, e a Re Bastos ficou encarregada de ciceronear nossos visitantes ilustres. Ufa!

Voamos para a clínica do Dr. Bruno.  A gatinha estava com muita dor e a qualquer aproximação nos atacava, e sem cerimônia deixou um belo ferimento de mordida na mão da Dani. Tinha aparentemente uma fratura no fêmur e compressão na medula que podia ter sido causada pela batida. A gatinha, que batizei de Mitzi, não tinha sensibilidade superficial (não reagiu à agulha, por exemplo) mas tinha reflexos nas patas traseiras (com as quais arranhou bastante a Dani rs).  Saí da clínica e fui direto para a Vetcom (15:00h) e com a a Mitzi já sedada  fizemos várias chapas de raio-x. Por pura sorte não houve nenhuma fratura, mas a medula está mesmo pressionada causando os problemas que ela tem nas patas traseiras. Tudo pronto, voltamos ao LT com a gatinha já medicada para receber os outros amigos que vieram nos visitar.

Essa é a Mitzi (foto de quando ela já estava instalada, esqueci de fotografá-la no momento do atendimento), afilhada do Rodolfo que gentilmente arcou com todas as despesas do resgate e tratamento dela:

Mitzi

Chegar no LT (às 15:45h) foi incrível porque além da Luciane, sua irmã e amiga estavam também a Jessica, Nathalia & Amigos (que já vieram outras vezes e é sempre muito legal!) e o casal Marcella & Felipe que vieram conhecer seu novo filhote. Como a Re precisou sair mais cedo, foi a minha sogra – Laura – quem ajudou a receber as visitas. Uma sogra dessas é o que toda mulher precisa, viu? Linda, bacana demais e além de tudo, gateira!

Maria Laura, Luciane & Irmã & Amiga, com outro visitante ao fundo. Oba!

Enquanto a minha sogra ficou com o pessoal no LT, eu fui para a minha casa junto com a Marcella & Felipe (às 16:15h) para buscar o babie deles. Deu um trabalhão e depois de muito corre-corre numa legítima epopéia e algumas horas depois (rs) o Bernardo finalmente pode seguir para a nova vida.

Marcella & Felipe com Jabulani no colo.

Quando conseguimos finalizar a adoção do Bernardo já era quase 20:00h. Isso foi totalmente imprevisto, mas quero deixar aqui publicamente o meu pedido de desculpas a todos os que foram nos visitar hoje e para os quais eu não consegui dar a atenção que deveria por conta da Mitzi e do Bernardo.

Saibam que a visita e o apoio de vocês é absolutamente importante pra gente e mais ainda para os gatinhos que não deixam ninguém sair de lá sem uma tonelada de carinhos (e pelos na roupa rs), não é?

Ganhamos uma porção de coisas que são muito bem vindas e super úteis (ração, sachet) e isso faz toda a diferença para cuidarmos deles como se deve, mas ainda mais legal do que isso é a disposição de vocês em passar uma tarde conosco e dar aos gatinhos a atenção e carinho que eles tanto precisam. Muito obrigada mesmo, de coração!!

Acham que meu dia acabou aí? Nem pensar! Eu ainda tinha um monte de coisas para fazer, e uma delas era entregar o pititico Prince na sua casa nova, no Tatuapé. Consegui chegar lá já eram quase 22:00h (deveria ter ido às 17h rs) e foi ótimo. Primeiro porque, como eu sempre digo, uma das coisas mais legais em entregar gatinhos é a “boquinha” que fazemos na casa do adotante! Oba, e dessa vez tinha um pedação de pizza veggie que estava maravilhosa, mousse de limão e tudo o mais. Enquanto o Prince se esbaldava na casa nova, eu me esbaldava na pizza que caiu MUITO bem no estômago de alguém que não tinha sequer almoçado, quanto mais jantado. À Harina & Rodrigo, muito obrigada pela acolhida ao pequeno e pela hospitalidade!

Harina com Prince, Rodrigo com Alfredo. Família feliz!

Barriga cheia, carro sem gatos, vou para casa? Nada disso!

O Novak, um dos gatinhos-jaguatiricas que está no LT da Adriana Tscherniev começou a dar sinais de ansiedade. Como o medicamento para o tratamento é controlado e precisa ser manipulado, passei na casa da Dri, na Moóca,  para deixar a receita. Olho no relógio: 23:30h!

Da Moóca (ZL) até o nosso LT Central em Tucuruvi (ZN) foram mais 25 minutos. Já passava da meia noite quando… Vocês acham que já acabou? Ainda não! Como pessoas com horários insanos (eu) se relacionam muito bem com outras pessoas de horários insanos (rs) como a Dani Sinhorini , essa foi a hora que ela passou no nosso LT Central para pegar material de divulgação e algumas outras coisinhas. É mole?

Dei uma última olhada nos gatinhos do LT Central, peguei a Mitzi e finalmente fui pra minha casa. Horário: 01:42h da madrugada. Chegando em casa ainda tenho os meus gatos pra dar atenção, arrumar o cafofinho da Mitzi (que ficou sozinha num banheirinho, bem à vontade) e cuidar dos gatinhos do LT da minha casa (Zen, Gilda, Kobe e Lindinha).

E então, finalmente, acabou meu dia! Horário: 02:45h. Esse foi o horário em que fui para a cama e, confesso, dormi até as 13h do domingo =o) eba!!

Queria finalizar esse jornal com um MUITO OBRIGADA a todos os que fazem a Confraria acontecer.

À Re Bastos, sempre a postos para todas as loucuras que fazemos na Confraria! Sempre presente nas visitas e, claro, nos bastidores e na frente de todas as nossas ações.

À Dra. Lizandra e Dr. Bruno, os vets que nos dão um suporte preciosíssimo sem o qual ficaria muito difícil fazer o que fazemos.

Às pessoas que fazem LT pra gente, especialmente a Re Bastos, Adriana, Dani Sinhorini, Alessandra e Mila, sem palavras. Como levaríamos isso adiante sem vocês? Não posso me esquecer, claro, dos respectivos namorador/companheiros/maridos que não só nos permitem mas nos ajudam a fazer isso acontecer (afinal sempre sobra pra alguém carregar os sacos de lixo, servir de motorista, e por aí vai)! Cris (meu marido), Carlos (marido da Re), Elias (namorado da Adri), Adalberto (marido da Ale) e David (marido da Mila). Muito obrigada!!

À minha sogra Maria Laura que mesmo com seus 64 anos vai todos os dias ao nosso LT e não só alimenta e cuida como brinca e dá uma super atenção a cada um dos nossos gatinhos. Nas últimas semanas teria sido impossível tocar isso tudo sem a presença sempre certa, positiva e animada que ela tem!

À Dani Murias que mesmo ausente há tempos foi imprescindível num momento bem delicado da Confraria, especialmente quando tivemos o maldito surto de giárdia há alguns meses, sem contar nos resgates, encrencas (rs) e eventos nos quais estivemos presentes. Dedicação e comprometimento são sempre bem vindos, e estaremos por aqui quando quiser voltar, como e quando puder.

Àqueles colaboradores e padrinhos com os quais pudemos contar constantemente ao longo desses quase 3 anos, pessoas como a Ana Claudia Heidrich, Veri Maenaka, Gi Zuardi, Marie Urgell, Marisa Licursi e Norma Braga, entre outras tantas, que confiam no que a gente faz e contribuem com parte do dinheiro com o qual contamos todos os meses para pagar castrações, vacinas e tratamentos. Muito obrigada!

Aos amigos que nos visitam aos finais de semana, àqueles que repassam nossos e-mails, divulgam nossos painéis para adoção, doam seu tempo e seu amor aos nossos bichinhos. Muito, muito obrigada mesmo! Sabemos que como nós vocês todos tem sua vida e seus animais pra cuidar e é muito legal perceber que não estamos sozinhos nessa, que podemos contar com vocês para suprir essa necessidade imensa de carinho que os gatinhos tem e que por todas as circunstâncias nunca podemos suprir por completo.

Pessoalmente preciso agradecer a algumas pessoas: minha mãe, que mesmo sem ter essa ‘petsick’ que eu tenho (rs) está sempre por perto quando mais preciso. Minha irmã Juliana, outra que está sempre junto quando ‘o bicho pega’:  companhia perfeita para resgates malucos e limpezas imensas em lt! Ao meu marido, apoio indispensável tanto física quanto emocionalmente, todo o meu amor. Ao Tadeu, grande e velho amigo, me surpreendendo sempre com sua capacidade de observar e criticar especialmente de maneira construtiva. À Angela e Sônia, amigas cariocas idealizadoras do Projeto Gatos Encantados que desde quando a Confraria era um embrião já eram presença virtual marcante na minha vida. À Ju Bussab do AUG que generosamente nos apóia sempre que pode e que é, a mim pessoalmente, um exemplo a seguir.

Aos mais de 450 adotantes que abriram suas portas e seu coração para receber um (ou mais do que um!) dos nossos protegidos, MUITO MUITO MUITO OBRIGADA!

A você, que nos acompanha diariamente, que torce pela gente, que vibra com nossas conquistas e chora conosco quando algo ruim acontece, muito obrigada mesmo, do fundo do fim do meu coração.

Bom, amanhã tem mais!

Grande abraço!

Tatis.

Não fui eu!

Não fui eu, já tava assim quando cheguei!


Sou voluntário!

Hoje quero falar sobre voluntariado.

Atualmente o conceito de voluntariado tem uma dimensão enorme. Fala-se muito nisso, e o lado bom é que muita gente que não fazia nem idéia de que era possível ser voluntário, que era algo para pessoas preparadas, que era de difícil acesso, hoje sabe que é diferente.

Em muitas empresas o fato de o candidato ao emprego fazer trabalho voluntário conta muito. Isso é importante porque fala um pouquinho mais sobre a pessoa. É geralmente alguém que se importa com o mundo que o cerca, que tem empatia, não importando o segmento onde seja voluntário: pessoas, meio-ambiente, animais.

Na teoria é lindo. As ONG’s,  OSCIPS e órgãos públicos que aceitem voluntários tem programas especiais, folders, panfletos e até mesmo voluntários cuja função é captar e administrar voluntários. Há até um centro de voluntários onde as pessoas se cadastram e recebem indicações de quem precise dos seus serviços. Isso é ótimo, porque quanto mais desfavorecidos (venham eles de onde vierem) forem auxiliados, melhor. Muitos levam a sério o ato de se doar, ainda bem! Seja seu tempo, seu trabalho, seu dom, seus ouvidos, doam o que tem de melhor.

De maneira geral o voluntário vai no primeiro dia, dá duro, se empenha.

No segundo dia… Puxa vida “é sábado, meu único dia de folga, preciso dormir!”.  E logo é porque está muito frio, ou está muito calor, ou está resfriado, ou o filho está com febre… Assim começa a se formar a enorme fatia de ex-voluntários.

Isso acontece porque muitas vezes a pessoa é movida a se tornar voluntária por N motivos: porque é bacana, porque dá status, porque o namorado é, porque se identifica com a causa, porque está em férias, porque tem tempo livre, porque tem depressão… Mas nada, nada disso é genuíno quando vem o impulso de ser voluntário.

Essas motivações podem funcionar num primeiro momento. Porém, nenhuma delas de maneira isolada é capaz de fazer um voluntário continuar a trabalhar, e sabem por que?

Porque voluntariado não é sazonal. Não é algo que você deve fazer para preencher seu tempo livre, porque no fundo nenhum de nós tem tempo livre. Não é algo para fazer quando você não tem nada a fazer!

Voluntariado consistente é aquele que você é movido a fazer por AMOR. É aquilo que você deseja fazer porque se identifica, porque seu namorado faz, porque pode arrumar um tempo pra fazer sim, mas é necessariamente porque você SENTE que deve fazer. Porque te completa!

Dá trabalho, toma tempo, você provavelmente empatará dinheiro seu (ainda que seja com seu transporte até o local ou com o dinheiro que podia ganhar fazendo algo remunerado mas não vai ganhar por fazer algo pro bono), sua estabilidade emocional vai ser mais cobrada do que nunca e adivinhe: você nunca mais vai conseguir deixar de fazer.

Voluntariado é compromisso. Não é quebra galho, não é pra preencher um vazio. Não há voluntários profissionais, aquela gente que já nasceu escolhida pra coisa. Há gente que sente que deve, que acha tempo, que gosta do que faz e mais do que tudo, acredita que faz a diferença. Não dá pra fazer isso sem acreditar.

A instituição, projeto, ONG, OSCIP ou entidade onde você se dispôs a voluntariar vai contar com a sua presença. Lembre-se, ninguém lhe obrigou a fazer isso. Quando você tiver milhares de razões para não comparecer ou participar, lembre-se que somente uma é capaz de lhe trazer à razão: a sua consciência. Seu senso de dever, seu compromisso, ou melhor, a sua capacidade de se comprometer.

Todo mundo fica sem dinheiro. Todo mundo precisa dormir, todo mundo tem família, todo mundo fica doente. Todo mundo tem prioridades, todo mundo trabalha, todo mundo tem os mesmos problemas que você. Lembre-se que aqueles com os quais você se comprometer a ser voluntário contarão com você, o que quer que aconteça. O mundo não deixa de girar porque temos dor de cabeça ou porque temos outras prioridades!

Então, voluntariado é amor, mas é principalmente compromisso.

Você é compromissado? Você pode e deve voluntariar. Faz bem ao coração, à cabeça, faz bem ao mundo. Faça qualquer coisa: conte histórias, arrecade livros, passeie com cães, faça cachecóis de tricô. Só tenha em mente que você precisa, como em qualquer outra área da sua vida, dar o melhor de si.

Por experiência própria eu digo que o voluntariado me ensinou o que nada e nem ninguém pode ensinar. Mesmo com todo o trabalho, vale a pena. É a sua chance de pegar toda a “revolta” que muitos temos quando lemos o jornal e transformá-la em algo útil, algo realmente capaz de mudar o mundo, qualquer que seja a sua atitude. FAÇA A SUA PARTE.

É possível.

=o)

Tatis.

De adotante a voluntária, uma história de verdade.

Pessoas,

Esse texto foi escrito pela Alessandra que junto com seu marido Adalberto, fazem lar temporário para os gatinhos da Confraria.

Inspirador… Vale a pena!

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Meu nome é Alessandra e eu e meu marido, o Adalberto, já estamos na Confraria há um bom tempo. Tudo começou com a vontade de adotar dois gatos, nossos queridos Henry Miller e Oscar Wilde. A necessidade de ter dois bichanos se transformou em algo muito maior, na obrigação de ajudar os bichos de rua, que acabou se transformando em uma família de dois humanos e treze bichanos e incontáveis filhos postiços que passaram por aqui e foram para casas muito boas. Algumas nem tanto assim, mas eles acabaram voltando aqui para a nave-mãe e, finalmente, encontrando seus lares definitivos.

Há muito tempo estou para escrever isso tudo, mas seja por falta de tempo, preguiça ou cansaço, sempre acabei protelando. Ainda assim, há dias em que tudo dá certo e em que a gente, seja lá no que acredite, acaba olhando para cima e agradecendo por ter se metido a ajudar. E digo isso porque passar pelo que já passei com os gatos que acolhi aqui em casa foi — e tem sido — além de uma experiência edificadora e gratificante, um exercício de felicidade.
Não nego que comecei a ajudar simplesmente porque queria ficar com filhotinhos aqui em casa, sem necessariamente ter que ficar com eles. A essa altura do campeonato já deveria ter uns… (pausa para pensar e contar quantos gatos tinha na época…) cinco gatos. Foi então que encontrei a Sra. Frida Kahlo em um anúncio na internet. Era uma gatinha sem uma pata e, como eu e meu marido temos coração mole, resolvemos adotar a criatura porque achávamos que ela ficaria “encalhada”. Na época ela se chamava Sunny e foi então que conhecemos a Tati e o Cris e a Confraria. Daí por diante ficamos amigos, nos tornamos protetores e começamos a oferecer lar temporário. Resgatamos n gatos aqui perto de casa, inclusive alguns ainda estão “encalhados” no LT da Major, em sua maioria filhotes.
Sim, é uma maravilha ter filhotes pela casa, correndo de lado, com rabo de espanador, subindo no pote de comida, rolando com os irmãozinhos por todos os cantos de onde quer que seja, mas nada se compara a pegar um gato adulto da rua, trazer para casa, alimentá-lo, levá-lo ao veterinário, socializá-lo e reabilitá-lo. Sim, nada se compara a esse tipo de felicidade. Os filhotes são uns amores. Todo mundo se encanta com aqueles olhões grandes e com aquelas cabecinhas desproporcionais. Agora, pegar um gato arisco, debilitado, praticamente sem condições de ser adotado, ter a PACIÊNCIA e o AMOR necessários para fazer com que ele se torne um bicho dócil, isso sim é uma coisa recompensante. Ver a cara do dono vindo buscá-lo aqui, ou os olhos de sua dona brilhando quando o levamos à sua casa nova, isso sim é o que faz com que nossos corações se encham de paz e alegria, isso sim é que faz com que nós continuemos fazendo o que fazemos hoje em dia, que é nos doarmos para um ser que nem conosco vai ficar, que vai fazer a vida de outro alguém cheia de amor e companhia. Porque, sinceramente, ao contrário do que muita gente pensa, ser protetor não é fácil.
Sim, é muito romântico quando as pessoas pensam “Ah, vou ajudar uma ONG! Vou resgatar uns gatos na rua e vou colocar para adoção”. O que ninguém pensa é que são pessoas como eu, o Adalberto, a Tati, o Cris, a Dani e muitos outros da Confraria que não conheço (e de tantas outras ONGs) que dão o sangue e gastam do próprio bolso para manter os bichos vivos, para entregar bichos decentes, sem doenças, castrados e bem nutridos. Os dois casos que vou contar aqui — e que me enchem de alegria e que me fazem querer continuar com esse trabalho — foram tratados com dinheiro do meu bolso e do da Tati, de ninguém mais. A ONG tem dinheiro para alimentar os bichanos e para oferecer alguns cuidados. Mas, quem é protetor sério sabe que, quando o pau come, quem gasta é quem está com os bichos em casa. E dá-lhe ração, radiografia, exames… O que for necessário. Afinal de contas, eu acolhi na minha casa, eu disse que poderia cuidar, então a responsabilidade é MINHA. É muito simples tirar os gatos da rua e socar na casa dos protetores.
É muito simples ir para casa pensando: “Ah, tirei nove gatinhos da rua hoje! Mandei todos para a casa da Alessandra, que é tão legal e vai cuidar deles como mãe, depois vai mandar para casas muito boas e eles vão ficar felizes para sempre!”.
Sim, na maioria das vezes é assim. Só que ninguém liga para perguntar como estão os gatos, ninguém pergunta se precisa de ração, ninguém vem se oferecer para limpar as caixas de areia. Se o gato ficou doente, é o protetor que tem que se virar, ou rezar para a ONG ter como bancar. Ser tirador de bicho das ruas é fácil. Ser difícil é ser PROTETOR. É ter amor pelos bichos, é deixar de ir ao restaurante por ter que pagar conta de veterinário.
Ainda assim, há casos me mostram que todos esses problemas valem a pena, que eu devo relevar tudo, porque existirão pessoas que — ainda que demore — vão se apaixonar pelos gatos e que vão amá-los tanto quanto eu, que vão se propor a assumir meu cargo de mãe temporária e vão levar isso até o fim, que vão torná-los partes de suas famílias, independentemente dos problemas, ou “defeitos” como tantos chamam, sejam eles MIAR, ser TRAUMATIZADO, CEGO ou qualquer outra coisa.
O primeiro caso é o do Bong. O Bong é um gato amerilinho, listradinho, de porte bem pequeno. Até onde sei da história dele, ele foi achado em uma casa em demolição. Ele estava em estado tão lastimável, que nem sei por onde começar. Algum ser humano boçal teve a coragem de furar os dois olhos dele. Um deles vazou completamente e o outro estava totalmente horrível. O detalhe bizarro da história, e é esse tipo de coisa que me faz ficar indignada e escrever o que disse acima, é que a pessoa que o encontrou era um oftalmologista. Ok, entendo que olhos humanos são olhos humanos e que olhos felinos são diferentes, mas, ainda assim.
Como é que um oftalmologista não tem coragem de olhar para o estado do gato e ver que era sério? Ou, melhor, por ser um oftalmologista e por ter se proposto a tirar o gato das condições onde estava, por ter visto como estavam os olhos do Bong, como ele conseguiu entregar o Bong para a Tati e nunca mais pedir notícias? Pior, sendo um oftalmologista, como ele não se tocou que o tratamento iria ser caro e que ele, por ter assumido a vida do Bong — porque, para mim, resgatar um gato é assumir a vida desse animal — não se propôs a ajudar de alguma forma, nem que fosse somente com a ração até ele encontrar sua casa definitiva? Olha, fazendo as contas, isso não seria grande coisa. Um saco de Royal Canin Premium de 10 kg sai por mais ou menos R$80,00. Um gato come, quando come bem, uns três quilos por mês. OK, a Sabor e Vida é mais barata, sairia como que R$ 20,00 por mês. É claro que tem gente que vai pensar “Poxa, mas do que ela está reclamando, são só 20 por mês”. Sim, só vinte. Mas tem época em que você fica com nove, dez gatos “temporários” em sua casa, por tempo indeterminado. É só fazer as contas.
Bem, então Bong, abandonado, em situação péssima, chegou aqui em casa. Ele veio aqui para casa porque a Tati estava com dificuldades em arrumar um oftalmologista veterinário lá pelos lados dela — que, diga-se de passagem, são bem longe dos meus. Ela já me avisou de antemão que o Bong era um gato arisco, que não se misturava com os outros e que vivia em cima de um armário, por ser totalmente avesso a contato humano. Eu nunca havia passado por uma experiência dessas antes dele. Normalmente, todos os gatos que ficam aqui em casa são fofos, coleiros, uns amores. Bong chegou à minha garagem e já se enfiou pelos cantos. Ele não gostava de contato, mas pelo menos aqui em casa ele não ficava escondido nos lugares altos para evitar qualquer tipo de interação. Levamos ao veterinário e então começou o longo processo de reabilitação e socialização. Como foi há muito tempo, nem sei ao certo quanto tempo ele ficou aqui em casa. O que posso dizer é que foi muito, muito tempo mesmo.

Bong no dia em que foi resgatado, junho-09.

O veterinário fez uma nova curetagem no olho que ele havia perdido e iniciamos o tratamento para a vista que ainda estava funcional. Quando ele chegou aqui em casa, a Tati me disse que havia suspeitas de que o outro olho pudesse estar daquele jeito por câncer. Depois de n exames, constatou-se que o olho dele havia sido realmente furado, que estava com algumas úlceras e que ele precisaria de diversos colírios e pomadas oftalmológicas especiais.
Aos poucos, o relacionamento que eu e meu marido desenvolvemos com ele foi fazendo com que ele se sentisse menos intimidado. Claro, ele ainda não chegava perto de nós, mas estava melhorando. Um belo dia, ele veio comer carne na nossa mão. Outro belo dia, ele deixou pegar no colo. Outro dia, ele ficou no colo e não fugiu cinco segundos depois. No outro, ele começou a dormir com os outros gatos do LT. Só que isso tudo não aconteceu de uma vez só. Cada progresso foi sofrido, cada progresso foi extremamente comemorado por nós. Cada um deles foi uma conquista que nos fez querer oferecer mais e mais, mostrar que nem todo humano é um filho da puta, que nem todo mundo vai querer furar os olhos dele, que há gente boa nesse mundo.
A última cirurgia do Bong foi a que nos deixou mais preocupados. Como o olho dele apresentava uma aderência na membrana, o veterinário teve que fazer uma raspagem e, para piorar a história, teve que dar uns pontos na pálpebra, para não haver nenhum atrito durante a recuperação. Eu e o Adalberto nos desesperamos, afinal de contas, depois de tantos progressos, íamos ter que deixar o Bong cego por uma semana pelo menos. Nessa hora é que eu digo que os animais entendem as intenções das pessoas. O comportamento do Bong não regrediu em nada. Os pontos foram tirados dos olhos dele e a recuperação foi inacreditável. Nunca ficaria 100%, mas foi incrível. Mas o mais incrível aconteceu na hora em que resolvemos dar um banho nele. Nunca havíamos nos metido a dar um banhinho, porque não queríamos que ele ficasse estressado. Ah, ledo engano. Talvez, se tivéssemos tentado isso antes, quem sabe tudo teria acontecido mais rápido. Ao mesmo tempo, creio que devemos dar tempo ao tempo, porque as coisas acontecem quando têm que acontecer. Depois do banho, como todo mundo sabe, devemos enxugar o gato e depois secar. Quando meu marido colocou o Bong no colo e começou a esfregá-lo com a toalha, ele se abriu todo. Não ronronou, mas ficou, se deixou tocar, aceitou o toque, o carinho, a dedicação em sua totalidade pela primeira vez.
Não preciso dizer a alegria que sentimos. Para completar, ainda apareceu uma pessoa interessada em adotá-lo. Como o tratamento ainda não havia terminado, pedimos que ela esperasse. Ainda assim, a cada semana, sentíamos um medo terrível que essa pessoa mudasse de idéia, afinal de contas, foi dito a ela que o Bong era traumatizado, que não tinha um olho e que o outro estava comprometido. Mas que nada! O mundo não é feito só de irresponsáveis. Existe muita gente boa no mundo, muita gente que quer dividir o amor que carrega no peito com os bichos e ela perseverou, esperou até o fim do tratamento, pacientemente, perguntando sempre para a Tati sobre ele, pedindo notícias e sempre reiterando seu interesse pelo nosso Bonguinho.

Bong, antes arisco e hoje confiante! Na foto, no colo com a Tati, sua dona.

O dia em que fomos entregá-lo foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Olhei para o casalzinho, dois jovens recém-casados, vestidos de preto, numa casa pequena e com dois outros gatinhos. Imediatamente apertei a mão do meu marido e ele me entendeu. Nós estávamos nos enxergando ali, sim, éramos nós, só que há muito tempo atrás. As roupas, o desejo de vencer na vida, o amor para com os animais. Nada no mundo paga a felicidade que eu vi no rosto dos dois, o amor que demonstraram pelo Bong de imediato, um bicho que nunca haviam visto na vida, mas que decidiram adotar para sempre.

Bong no novo lar.

O mais engraçado é que minha intuição estava certa. Fiquei sabendo pela Tati que hoje eles têm treze gatos, exatamente o mesmo número de gatos que tenho aqui em casa…

Bong dormindo feliz com seus amigatos!

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Não é demais?
Como a gente costuma dizer, era uma vez uma pessoa que não sabendo o que era impossível, foi lá e fez.
À Ale e Adalberto, todos os muito obrigadas que eu posso dizer são poucos perto do quanto já fizeram pela Confraria e por tantos gatos sortudos que passaram pelo caminho deles.
Vem prá cá você também! =))

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