Todo mundo aqui lembra da Marjí, né?
Eu já estava preparada pra ficar com a Marji durante alguns meses. Gatos adultos tem maior dificuldade em encontrar uma casa, e gatos adultos vaquinha, pretos ou tigrados, maior ainda.
O mundo é algo curioso e tem caminhos que a gente não entende… Mas a cada dia que passa eu me certifico mais de que todas as coisas tem um sentido e a gente é que as vezes demora pra perceber isso.
Tudo aquilo que a Ma sofreu quando perdeu seus bebês foi muito triste. Nunca desejaria aquilo pra ninguém: nem pra animal, nem pra pessoa alguma. A parada é que foi justamente isso o que de imediato chamou a atenção da Renata, que se interessou pela Marjí há dois meses.
A Renata tinha um filhinho, o Felippe. Em julho, aos oito anos, numa dessas fatalidades que a gente nunca quer presenciar e cujo potencial destrutivo a gente não consegue mensurar, ele deixou a mamãe dele aqui na Terra. Uma criança linda. Querido, amado, especial demais. Não posso e acho que ninguém pode sequer ter uma mínima idéia do que a Re sofreu e sofre com isso, mas foi essa experiência que fez com que ela se identificasse tanto com Marjí. De uma forma ou de outra, ambas passaram por experiências semelhantes de perder suas crias, e foi essa tragédia que colocou Marjí no caminho da Renata, sua nova mamãe.
Tenho que dizer aqui o quanto me surpreendeu essa adoção em especial. Claro que por toda a sintonia que eu tinha com Marjí, mas principalmente pela atitude tão corajosa da Renata. Quantas pessoas não se desfazem dos animais quando perdem um ente querido? Quantas não abrem mão da companhia daqueles que invariavelmente estão sempre ao nosso lado quando uma tragédia como essa acontece? Quantos corações não endurecem a ponto de não sentir mais amor?
Com a Re foi exatamente o contrário disso tudo, e preciso expressar aqui minha admiração e meu profundo respeito pela atitude ímpar diante de toda essa história tão triste. Como é gratificante poder conviver e estar por perto de pessoas que mesmo devastadas por algo tão difícil são capazes de abrir o coração. Ainda são capazes de amar e fazerem-se amar, de juntar os cacos, de tentar juntar os cacos.
Hoje Marjí vive com a Renata e sua irmãzinha felina Cleo. As três ainda estão se entendendo (rs) mas o mais bacana disso tudo é a paciência que a Re tem com a Marjí. Estão todas se conhecendo ainda, se adaptando, mas onde há tamanho amor tudo se resolve. Com paciência e amor, devagar e sempre.
Fica aqui expressa minha admiração toda por este caso, pela Renata e pela Marjí. Deixo, mais ainda, o meu eterno agradecimento por ter a chance de presenciar situações como esta, de poder aprender com essa história e também por ter participado dela, ainda que de uma forma BEM pequenininha.
Meus vivas a todas essas pessoas que são ‘gente grande’ capazes de digerir e destilar cada minuto de seu luto não como uma muleta, mas com a dignidade que poucas pessoas tem.
Re, meu muitíssimo obrigada por ter acolhido nossa Marjí de modo tão especial, tão generoso, tão digno, tão corajoso. Você é muito corajosa!! Nunca vou poder te agradecer pela chance que deu a ela e de quebra pela lição que me ensinou naquelas algumas horas na tarde que entreguei pra ti a minha princesinha.
Beijos a todos e muito obrigada!
Tatis.
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Aqui, uma foto da Ma pouco antes de ir pra casa nova e pra vida que ela merece:
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Folgada é pouco rs