Por diversas vezes, a proteção animal cruzou meu caminho. Em algumas, bem por acaso. Em outras, talvez o meu empenho e a minha vontade de ajudar não tenham sido o suficiente. Mas se existe acaso, ou destino, o que me moveu até ele foi o amor pelos animais, foi um coração que meio bate, meio ronrona. E esse mesmo coração, apaixonado por um gato preto, trouxe para mim o Hendrix (antes Alfred) e, de quebra, a proximidade com um projeto excepcional e o contato com pessoas ímpares. Pouco a pouco, a vontade de fazer parte de algo tão lindo foi superando os antigos “baldes de água fria”, e de visitas e ajudas esporádicas, me tornei voluntária da Confraria. Oficialmente, e com muito orgulho.
Hoje, tenho a honra – obrigada, Tatis!! – de estar aqui para dividir mais uma história com final feliz, e em dose dupla. No meu caso, a primeira em que realmente tive envolvimento e participação. E uma sensação plena de realização que não tem preço.
Há pouco menos de um mês, encontrei um tigrãozinho na portaria do meu prédio. Segundo os funcionários, ele estava por ali já tinha uns três dias, miando, tentando se esfregar e ir atrás de todo mundo que passava. Nenhum morador ou vizinho procurou por ele. Ninguém deu a mínima atenção, e se ele comeu, foram só restos de pizza que os porteiros deram. Mas esses três dias – e sabe-se lá quantos outros antes, até ele chegar no prédio – de sofrimento e abandono seriam recompensados… Mal me abaixei para vê-lo, ele se esfregou nas minhas pernas e literalmente se jogou de barriga pra cima, pedindo carinho e ronronando muito, mas muito alto. Era um machinho. Castrado. E eu, que havia descido para buscar uma encomenda, subi com duas: o pacote e o Aiko (que comeu como se não houvesse amanhã… rs).
Depois de dois dias confinado em um micro banheiro (e mesmo assim, comportadíssimo, fazendo tudo na caixinha de areia e tal), consegui leva-lo para o LT da Fernanda Garcia. Eu sabia que o jeito carinhoso dele tinha tudo para conquistar alguém nas visitas, mas achava bem difícil ele ser adotado só pelas fotos: convenhamos, um gato comum, tigrado, com mais ou menos 8 meses, não costuma ser sonho de consumo ou causar amor à primeira vista. Eu estava errada.
Na semana passada, a Cibele – que já havia adotado uma gatinha da Confraria há três anos – entrou em contato, interessada em adotar mais duas fêmeas, uma preta e uma tigrada. Não tínhamos no momento, então restaria a ela aguardar. O que a gente não esperava é que, no mesmo dia, ela escreveria novamente para a Tatis, interessada no Aiko e no Anthony, o ex-estrupiadinho que, mesmo atacado por cães e tendo passado por cirurgias, jamais perdeu a doçura, nem a dupla de motores V8 eternamente ronronantes.
É óbvio que a ideia nos fez comemorar horrores, mas era preciso agir, afinal, levar os dois já entrosados seria muito melhor. Lá fui eu, sábado, meia noite e cacetada, pra balada buscar o Aiko no LT da Fer. No domingo, seguimos para a casa da Tatis. Até a hora em que fui embora, tudo estava às mil maravilhas. Estava. O maledeto se pos a chorar em looping eterno, e isso se tornou preocupante. O danado mia alto e grosso! Seria testículo retido? Seria saudade da Tróia, que estava com ele antes? Seria tédio? A única certeza que tínhamos é que, se fosse doado aos berros, ele seria devolvido.
Depois de ser revirado pela veterinária, a hipótese do testículo foi descartada. Como já estava a caminho, ele acabou indo junto com o Anthony pro LT Central, já que a entrega do Anthony estava certa, mas ficaria em stand by até descobrirmos o motivo da choradeira. Adivinhem se ele continuou chorando? Não! Ele só é carente demais, e como a Cibele seria a adotante perfeita para um grudentinho, a Tatis explicou pra ela a situação e resolveu arriscar. E enfim pudemos entender tudo: ele só queria um lar.

Aiko, agora Felipe, Cibele e Anthony, agora Leonardo
Sejam felizes em seu novo e verdadeiro lar, seus lindos, e tragam muita alegria à mamãe Cibele! Mesmo levando uma parte dos nossos corações com vocês, é isso que nos dá a sensação de missão cumprida e a força para começar tudo de novo… De novo, e de novo…
Hoje, posso dizer que o “Participe, encante-se!” faz todo sentido. E pode fazer toda a diferença!