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Meu gato/cão precisa namorar?

Essa é uma pergunta que passa pela cabeça de muitos donos de pets. Na verdade, muitas vezes não é uma pergunta, é uma afirmação que logo vem seguida da resolução: vou achar um(a) namorado(a) pro meu pet!

A imensa maioria é movida tão somente pelo desejo de “perpetuar” aquele animalzinho tão especial. Outros, além disso, buscam presenciar o “milagre da vida” ao decidir que seu pet precisa se reproduzir, afinal, ninguém (inclusive os animais) é completo enquanto não tem filhos, certo?

Devo dizer… Errado.

Há centenas de razões – fruto da opinião comum – que podem pautar uma decisão como esta. Quando isso envolve animais de raça definida, principalmente raças que estão na moda, é ainda mais difícil. O proprietário acha que fará bem, que a cachorrinha linda vai parir filhotes lindos que serão doados a quem vai “cuidar bem” e todos serão felizes para sempre. Seria ótimo se fosse verdade!

A idéia desse artigo é servir como um guia rápido de perguntas e respostas que todos os proprietários de pets deveriam fazer a si mesmos antes de decidir procriar seus animais. As perguntas vão das mais comuns à outras que podem não passar pela cabeça pois é difícil imaginar que muitas vezes nós fazemos parte (ou a nossa parte!) de um problema maior.

Espero que possa ajudar aos leitores a cuidar melhor dos nossos amigos de quatro patas.

1. Quero que meu pet tenha filhotes porque eu ficarei com um. Faço questão de ter um descendente dele!

    Muito bem, saiba que você não está sozinho nessa! Quem não quer perpetuar aquele animalzinho tão maravilhoso que parece entender o que falamos, que é super educado, lindo, fofo?!  Todos queremos, não é mesmo?

    Seria ótimo se fosse possível, mas não é. E não é porque como todas as criaturas vivas, não há um animal igual ao outro.  Esse bichinho que você tem é único, e ainda que você encontre outros que pareçam com ele física ou psicologicamente, nunca haverá um igual. Ou seja, permitir que seu animal procrie com a idéia de ter um filho dele que se pareça com o pai/mãe é sem dúvidas um equívoco.

    Pense também no seguinte: se seu pet tiver filhotes e você ficar com um (e a este você poderá garantir a segurança, conforto e cuidados que forem necessários), como poderá garantir que os outros irmãozinhos dele também tenham?

    Será que haverá lares que possam assumir o enorme compromisso que é cuidar daquela vida que você planejou vir ao mundo por pelo menos 15 anos? Como garantir que o novo dono cuidará dele como deve por toda a vida, que terá condições, que não precisará se mudar para um lugar menor e abrir mão dele? E mesmo se sim, essa pessoa cuidar direitinho pela vida toda… Será que ela terá o mesmo cuidado que você teve com os filhotes deste filhote? Acredite, é impossível controlar isso.

    Será justo que tantas outras vidinhas venham ao mundo somente para que você fique com um filhote que não será uma cópia do seu pet?

    Se você se identifica com a raça do seu pet (se ele tiver uma), que tal adotar um da mesma raça que precise de uma casa? Isso é possível e há muitos grupos de resgate de animais de raças específicas ou pessoas que estão doando os seus pelas mais variadas razões. Acredite, mesmo os animais que são das raças mais caras são abandonados e descartados e estão esperando um lar como o seu.

    2. Ouvi dizer que as fêmeas precisam ter cria pelo menos uma vez na vida bem como os machos tem que cruzar pelo menos uma vez, isso é verdade?

      Não, isso definitivamente não é verdade.  Criatura alguma precisa ter filhotes, e exceto pelos humanos, todos os outros seres vivos procriam somente por instintos de preservação da espécie. Mesmo assim você se perguntará: mas e a natureza? Na natureza os animais procriam! A isso respondo que não é bem assim.

      Para ter uma idéia, numa matilha de cães somente um macho cobre as fêmeas (sadias), ou  seja, não são todos os que podem procriar porque um instinto básico é a busca de indivíduos cada vez mais fortes tanto física quanto psicologicamente. Na natureza, um cão medroso, ou assustado, ou agressivo jamais procriaria.

      Entre os felinos essa regra é ainda mais restrita porque numa matilha de cães podem coexistir diversos machos sob o “comando” de um único alfa mas entre os gatos não é assim que funciona.

      Gatos não vivem em bandos ou em grupos preferindo  a vida solitária ou sem dividir seu território com muitos outros, principalmente machos. Desta forma, um macho “fraco” (mirrado, pequeno, medroso) não só não perpetuará seus genes como dificilmente viverá muito já que acabará se encontrando com machos mais fortes que são capazes de brigar até a morte por um território ou uma fêmea.

      A maioria das pessoas quando tem o impulso de cruzar um pet com outro dificilmente se preocupa com coisas como saúde além da aparente (os mais fortes são primeiramente os mais sadios), buscando somente a aparência ou tamanho. Ou seja, a natureza passa longe! Isso sem contar que as raças (tanto de cães quanto gatos) são fruto da intervenção humana, ou seja, nada de natureza mais uma vez.

      Sendo assim, se seu pet tiver raça definida ou não, tenha em mente que ele não tem desejos, tem instintos. Seu corpo, assim como de todos os outros seres vivos, prepara-se para gerar descendentes porque é assim que as espécies se fixam mas isso não significa que ele tem que gerar principalmente porque seu pet não é de uma espécie em extinção, não é mesmo?

      3. Meu pet é de raça. Como procurar um parceiro para ele cruzar?

        Muitas são as pessoas que fazem anúncios oferecendo seus animais para procriação. Em grande parte deles é possível notar que os proprietários tratam seus animais, nessa situação, de maneira humanizada.

        Dizem que seus animais precisam de um namorado, ou que seu pet é virgem. Ora, isso é coisa de humanos, não de animais! São conceitos que se aplicam a nós humanos, e é assim porque carregam um ASPECTO que não existe entre os animais: o moral. Lembre-se, animais procriam-se por instinto.

        O fato de seu pet ter uma raça definida não significa que ele precise, deva ou possa procriar. Sobre ele precisar procriar, já falamos logo acima. Sobre dever procriar, o conceito é basicamente o mesmo que precisar, mas com o agravante de que a há uma quantidade gigantesca de animais no mundo precisando de um lar, e há animais abandonados que são da mesma raça do seu.  sobre poder procriar, além de tudo o que já falamos há um ponto ainda mais importante: mesmo tendo raça definida, será que o bichinho que você ama tem saúde (física e psicológica) além de conformação adequada que justifiquem que ele deixe descendentes?

        Principalmente raças da moda (gatos persas, siameses, cães de raças pequenas como Poodle, Pinscher, Lhasa Apso, Shih-Tzu) ou populares (Golden Retriever, Rottweiler, Pastor Alemão) estão sujeitas a doenças genéticas comuns às raças e que são intensificadas quando começam a ser procriados animais que parecem sadios mas não são.

        Veja essa linda cadela da raça Golden Retriever, ela se chama Flora.

        Flora GTrip da Terra dos Gigantes, propr. Asline e Cristiano

        Ela é linda, não é? Certamente teria filhotes lindos com outro cão da mesma raça. Tem pedigree e ainda filhotinha participou e venceu muitas competições de beleza.

        O problema é que essa cachorrinha tem uma doença chamada Displasia em grau severo e por essa razão foi esterilizada. É uma doença degenerativa, dolorosa e cada vez mais comum na raça. Em alguns meses ou com sorte poucos anos ela não mais poderá andar porque tem uma “folga” no encaixe das patas traseiras na bacia. Ela herdou essa doença geneticamente, mas só de olhar ninguém pode dizer que ela é portadora. Já pensou se seus proprietários resolvessem cruzá-la só porque ela é “de raça”? Os seus descendentes carregariam o gene da doença e alguns certamente a desenvolveriam. O exame que detectou seu problema tem um custo elevado, e os medicamentos que ela tomará a vida toda também.

        Veja esse maravilhoso gato persa, o Sossego. Dá para olhar para as fotos dele durante horas e pensar que ele teria filhotes maravilhosos!

        Sossego, in memorian, dos amigos Ricardo e Kariane.

        Esse gatinho já faleceu. Ele era portador de uma doença comum em persas chamada PKD, ou Síndrome do Rim Policístico, que é herdada geneticamente, e foi esterilizado ainda filhote (antes que seus donos soubessem do problema dele, afinal, a idéia era de ter um pet sem fins reprodutivos). Com o tempo, cistos vão tomando conta dos rins que param de funcionar, em resumo. Isso é doloroso e definha o animal aos poucos. Nenhum ser vivo merece nascer fadado a isso, não é mesmo? Porém, se os donos dele o tivessem cruzado somente porque ele tem raça definida, todos os seus descendentes teriam o mesmo problema que ele.

        Citei esses dois exemplos somente para ilustrar o conceito de maneira bem rápida. Há, além dessas doenças, dezenas de outras tão ou mais comuns que poderiam ser evitadas com uma atitude simples: não procriar animais portadores. Na dúvida, jamais procriar.

        Ou seja… A tarefa de buscar um “namorado(a)” para seu pet é algo que não vai funcionar por uma razão muito simples: há dezenas de outros pensamentos que devem vir antes disso quando agimos com responsabilidade, além da imensa quantidade de pets de raça disponíveis para adoção. A solução é não procriar o seu pet.

        Tudo aquilo que não podemos prever é acidente, mas quando podemos prever e não o fazemos, é negligência.

        4. Meu pet não tem raça definida, mas eu quero cruzá-lo mesmo assim. Como fazer?

          Antes de qualquer coisa é preciso compreender que um animal de determinada raça tem características físicas e comportamentais previsíveis, e mesmo assim são singulares. As raças são frutos de um trabalho genético longo e dedicado de criadores sérios que carregam uma bagagem de estudo e tempo muito grandes para garantir que aqueles animais tem as características que devem ter, além de ter saúde.

          Quando animais de raças diferentes são cruzados, o que temos são mestiços, ou seja, um pouco de uma coisa misturado com um pouco de outra que não sabemos qual resultado terá. Se você tem um “mestiço de persa com SRD” saiba que o que você tem é um gato sem raça definida.

          Quando tem um mestiço de poodle com buldogue, você tem um autêntico e lindo SRD. Não adianta pegar esse seu SRD e cruzar com um buldogue ou um poodle na intenção de ter um cão “de raça” pois não vai funcionar já que cada uma dessas raças foi desenvolvida com um intuito diferente. Poodles hoje são cães de companhia mas foram desenvolvidos para buscar trufas (cogumelos), já os buldogues também são cães de companhia hoje em dia, mas foram desenvolvidos como gladiadores.

          Se você tem um cão e não sabe de que mistura ele veio (e a imensa maioria veio de muitas e muitas), então você sabe o que ele se parece (pequeno, grande, bravo, tranquilo, preto, roxo) mas não sabe o que ele carrega geneticamente. Se carrega alguma doença genética, se vai gerar filhotes medrosos, ou agressivos, além de dificilmente gerar um filhote como o seu pet.

          Porém, pior do que isso tudo é que já existem trilhões de SRDs no mundo fadados ao abandono  e não há lares para todos. Há SRDs de todas as cores, tamanhos, personalidades. Por qual razão colocar mais cães num mundo já super lotado?

          Como a resposta anterior, a solução é não procriar o seu pet.

          5. Tenho um casal de cães/gatos e é difícil separá-los quando a fêmea está no cio. Como fazer?

            Com a correria diária da vida, muitas vezes não achamos tempo nem para dar uma volta no quarteirão com o nosso cãozinho ou passar alguns minutos brincando de bolinha com o nosso gato, não é mesmo? Quem dirá então prestar atenção necessária para evitar que eles cruzem!

            Além do trabalho e tensão que manter separados um casal de pets quando a fêmea está no cio dá, há o mais pesado que é o stress que o animal passa porque seu instinto é de cruzar, mas eles são impedidos (corretamente).

            Em cães, o macho pode ficar irritadiço ou agressivo e a fêmea pode perder peso e ter alguma doença oportunista pela baixa da imunidade que o cio sem cruza traz, além de pseudociese (gravidez psicológica) que é dolorosa e perigosa (fêmeas que entram no cio e não cruzam podem desenvolver com os anos piometra, câncer de útero e/ou mamas , entre outras doenças).

            Em gatos é um pouco pior. Machos inteiros quando atingem a maturidade sexual tendem a borrifar urina em diversos lugares para demarcar seu território além de tornarem-se mais agressivos, e as fêmeas tendem a não sair do cio enquanto não forem cobertas pelo macho, além da possibilidade enorme em desenvolver câncer de útero e mamas. Isso tudo sem contar a “cantoria” famosíssima dos gatos em idade de acasalamento!

            Há no mercado as famosas “vacinas anti-cio”, mas elas são verdadeiras bombas hormonais que na esmagadora maioria dos casos causam câncer em cadelas e gatas mesmo que seja dada uma única dose. Nenhum veterinário ético indica ou aplica essas injeções pois os efeitos colaterais são brutais, jamais permita ou aceite esse tipo de alternativa.

            Num caso como este, o mais correto é a esterilização de um dos pets ou de ambos. Atualmente tanto o custo da cirurgia quanto os cuidados pós-operatórios diminuíram muito com técnicas cirúrgicas cada vez mais precisas, valendo-se de incisões menores e menos invasivas.

            Machos acordam da anestesia como se nada tivesse acontecido. As fêmeas precisam de mais dois ou três dias para a recuperação, mas ainda assim é praticamente livre de riscos e stress.

            6. É verdade que a esterilização evita câncer?

              Sim, é verdade. O câncer acomete em sua maioria as fêmeas (útero e mamas), mas há também câncer de testículo que é evitado ao castrar os machos.

              A esterilização é importante porque evita crias indesejadas, stress do cio (tanto para a fêmea quanto para o macho que não tem cio mas está sempre pronto para cobrir fêmeas no cio) e ajuda com alguns problemas comportamentais como demarcarção de território e brigas.

              Seu cãozinho não deixará de ser macho por ser esterilizado! Ele será o mesmo amigo de sempre, com energia e alegria e, claro, menos stress por não ter mais os instintos de procriação.

              Sua gatinha não deixará de ser boazinha se for castrada, pelo contrário! Ela ficará mais manhosa sem os cios constantes.

              Esterilizar seu pet é um ato de amor! Pense nisso.

               

              Sou voluntário!

              Hoje quero falar sobre voluntariado.

              Atualmente o conceito de voluntariado tem uma dimensão enorme. Fala-se muito nisso, e o lado bom é que muita gente que não fazia nem idéia de que era possível ser voluntário, que era algo para pessoas preparadas, que era de difícil acesso, hoje sabe que é diferente.

              Em muitas empresas o fato de o candidato ao emprego fazer trabalho voluntário conta muito. Isso é importante porque fala um pouquinho mais sobre a pessoa. É geralmente alguém que se importa com o mundo que o cerca, que tem empatia, não importando o segmento onde seja voluntário: pessoas, meio-ambiente, animais.

              Na teoria é lindo. As ONG’s,  OSCIPS e órgãos públicos que aceitem voluntários tem programas especiais, folders, panfletos e até mesmo voluntários cuja função é captar e administrar voluntários. Há até um centro de voluntários onde as pessoas se cadastram e recebem indicações de quem precise dos seus serviços. Isso é ótimo, porque quanto mais desfavorecidos (venham eles de onde vierem) forem auxiliados, melhor. Muitos levam a sério o ato de se doar, ainda bem! Seja seu tempo, seu trabalho, seu dom, seus ouvidos, doam o que tem de melhor.

              De maneira geral o voluntário vai no primeiro dia, dá duro, se empenha.

              No segundo dia… Puxa vida “é sábado, meu único dia de folga, preciso dormir!”.  E logo é porque está muito frio, ou está muito calor, ou está resfriado, ou o filho está com febre… Assim começa a se formar a enorme fatia de ex-voluntários.

              Isso acontece porque muitas vezes a pessoa é movida a se tornar voluntária por N motivos: porque é bacana, porque dá status, porque o namorado é, porque se identifica com a causa, porque está em férias, porque tem tempo livre, porque tem depressão… Mas nada, nada disso é genuíno quando vem o impulso de ser voluntário.

              Essas motivações podem funcionar num primeiro momento. Porém, nenhuma delas de maneira isolada é capaz de fazer um voluntário continuar a trabalhar, e sabem por que?

              Porque voluntariado não é sazonal. Não é algo que você deve fazer para preencher seu tempo livre, porque no fundo nenhum de nós tem tempo livre. Não é algo para fazer quando você não tem nada a fazer!

              Voluntariado consistente é aquele que você é movido a fazer por AMOR. É aquilo que você deseja fazer porque se identifica, porque seu namorado faz, porque pode arrumar um tempo pra fazer sim, mas é necessariamente porque você SENTE que deve fazer. Porque te completa!

              Dá trabalho, toma tempo, você provavelmente empatará dinheiro seu (ainda que seja com seu transporte até o local ou com o dinheiro que podia ganhar fazendo algo remunerado mas não vai ganhar por fazer algo pro bono), sua estabilidade emocional vai ser mais cobrada do que nunca e adivinhe: você nunca mais vai conseguir deixar de fazer.

              Voluntariado é compromisso. Não é quebra galho, não é pra preencher um vazio. Não há voluntários profissionais, aquela gente que já nasceu escolhida pra coisa. Há gente que sente que deve, que acha tempo, que gosta do que faz e mais do que tudo, acredita que faz a diferença. Não dá pra fazer isso sem acreditar.

              A instituição, projeto, ONG, OSCIP ou entidade onde você se dispôs a voluntariar vai contar com a sua presença. Lembre-se, ninguém lhe obrigou a fazer isso. Quando você tiver milhares de razões para não comparecer ou participar, lembre-se que somente uma é capaz de lhe trazer à razão: a sua consciência. Seu senso de dever, seu compromisso, ou melhor, a sua capacidade de se comprometer.

              Todo mundo fica sem dinheiro. Todo mundo precisa dormir, todo mundo tem família, todo mundo fica doente. Todo mundo tem prioridades, todo mundo trabalha, todo mundo tem os mesmos problemas que você. Lembre-se que aqueles com os quais você se comprometer a ser voluntário contarão com você, o que quer que aconteça. O mundo não deixa de girar porque temos dor de cabeça ou porque temos outras prioridades!

              Então, voluntariado é amor, mas é principalmente compromisso.

              Você é compromissado? Você pode e deve voluntariar. Faz bem ao coração, à cabeça, faz bem ao mundo. Faça qualquer coisa: conte histórias, arrecade livros, passeie com cães, faça cachecóis de tricô. Só tenha em mente que você precisa, como em qualquer outra área da sua vida, dar o melhor de si.

              Por experiência própria eu digo que o voluntariado me ensinou o que nada e nem ninguém pode ensinar. Mesmo com todo o trabalho, vale a pena. É a sua chance de pegar toda a “revolta” que muitos temos quando lemos o jornal e transformá-la em algo útil, algo realmente capaz de mudar o mundo, qualquer que seja a sua atitude. FAÇA A SUA PARTE.

              É possível.

              =o)

              Tatis.

               

              De adotante a voluntária, uma história de verdade.

              Pessoas,

              Esse texto foi escrito pela Alessandra que junto com seu marido Adalberto, fazem lar temporário para os gatinhos da Confraria.

              Inspirador… Vale a pena!

              =========

              Meu nome é Alessandra e eu e meu marido, o Adalberto, já estamos na Confraria há um bom tempo. Tudo começou com a vontade de adotar dois gatos, nossos queridos Henry Miller e Oscar Wilde. A necessidade de ter dois bichanos se transformou em algo muito maior, na obrigação de ajudar os bichos de rua, que acabou se transformando em uma família de dois humanos e treze bichanos e incontáveis filhos postiços que passaram por aqui e foram para casas muito boas. Algumas nem tanto assim, mas eles acabaram voltando aqui para a nave-mãe e, finalmente, encontrando seus lares definitivos.

              Há muito tempo estou para escrever isso tudo, mas seja por falta de tempo, preguiça ou cansaço, sempre acabei protelando. Ainda assim, há dias em que tudo dá certo e em que a gente, seja lá no que acredite, acaba olhando para cima e agradecendo por ter se metido a ajudar. E digo isso porque passar pelo que já passei com os gatos que acolhi aqui em casa foi — e tem sido — além de uma experiência edificadora e gratificante, um exercício de felicidade.
              Não nego que comecei a ajudar simplesmente porque queria ficar com filhotinhos aqui em casa, sem necessariamente ter que ficar com eles. A essa altura do campeonato já deveria ter uns… (pausa para pensar e contar quantos gatos tinha na época…) cinco gatos. Foi então que encontrei a Sra. Frida Kahlo em um anúncio na internet. Era uma gatinha sem uma pata e, como eu e meu marido temos coração mole, resolvemos adotar a criatura porque achávamos que ela ficaria “encalhada”. Na época ela se chamava Sunny e foi então que conhecemos a Tati e o Cris e a Confraria. Daí por diante ficamos amigos, nos tornamos protetores e começamos a oferecer lar temporário. Resgatamos n gatos aqui perto de casa, inclusive alguns ainda estão “encalhados” no LT da Major, em sua maioria filhotes.
              Sim, é uma maravilha ter filhotes pela casa, correndo de lado, com rabo de espanador, subindo no pote de comida, rolando com os irmãozinhos por todos os cantos de onde quer que seja, mas nada se compara a pegar um gato adulto da rua, trazer para casa, alimentá-lo, levá-lo ao veterinário, socializá-lo e reabilitá-lo. Sim, nada se compara a esse tipo de felicidade. Os filhotes são uns amores. Todo mundo se encanta com aqueles olhões grandes e com aquelas cabecinhas desproporcionais. Agora, pegar um gato arisco, debilitado, praticamente sem condições de ser adotado, ter a PACIÊNCIA e o AMOR necessários para fazer com que ele se torne um bicho dócil, isso sim é uma coisa recompensante. Ver a cara do dono vindo buscá-lo aqui, ou os olhos de sua dona brilhando quando o levamos à sua casa nova, isso sim é o que faz com que nossos corações se encham de paz e alegria, isso sim é que faz com que nós continuemos fazendo o que fazemos hoje em dia, que é nos doarmos para um ser que nem conosco vai ficar, que vai fazer a vida de outro alguém cheia de amor e companhia. Porque, sinceramente, ao contrário do que muita gente pensa, ser protetor não é fácil.
              Sim, é muito romântico quando as pessoas pensam “Ah, vou ajudar uma ONG! Vou resgatar uns gatos na rua e vou colocar para adoção”. O que ninguém pensa é que são pessoas como eu, o Adalberto, a Tati, o Cris, a Dani e muitos outros da Confraria que não conheço (e de tantas outras ONGs) que dão o sangue e gastam do próprio bolso para manter os bichos vivos, para entregar bichos decentes, sem doenças, castrados e bem nutridos. Os dois casos que vou contar aqui — e que me enchem de alegria e que me fazem querer continuar com esse trabalho — foram tratados com dinheiro do meu bolso e do da Tati, de ninguém mais. A ONG tem dinheiro para alimentar os bichanos e para oferecer alguns cuidados. Mas, quem é protetor sério sabe que, quando o pau come, quem gasta é quem está com os bichos em casa. E dá-lhe ração, radiografia, exames… O que for necessário. Afinal de contas, eu acolhi na minha casa, eu disse que poderia cuidar, então a responsabilidade é MINHA. É muito simples tirar os gatos da rua e socar na casa dos protetores.
              É muito simples ir para casa pensando: “Ah, tirei nove gatinhos da rua hoje! Mandei todos para a casa da Alessandra, que é tão legal e vai cuidar deles como mãe, depois vai mandar para casas muito boas e eles vão ficar felizes para sempre!”.
              Sim, na maioria das vezes é assim. Só que ninguém liga para perguntar como estão os gatos, ninguém pergunta se precisa de ração, ninguém vem se oferecer para limpar as caixas de areia. Se o gato ficou doente, é o protetor que tem que se virar, ou rezar para a ONG ter como bancar. Ser tirador de bicho das ruas é fácil. Ser difícil é ser PROTETOR. É ter amor pelos bichos, é deixar de ir ao restaurante por ter que pagar conta de veterinário.
              Ainda assim, há casos me mostram que todos esses problemas valem a pena, que eu devo relevar tudo, porque existirão pessoas que — ainda que demore — vão se apaixonar pelos gatos e que vão amá-los tanto quanto eu, que vão se propor a assumir meu cargo de mãe temporária e vão levar isso até o fim, que vão torná-los partes de suas famílias, independentemente dos problemas, ou “defeitos” como tantos chamam, sejam eles MIAR, ser TRAUMATIZADO, CEGO ou qualquer outra coisa.
              O primeiro caso é o do Bong. O Bong é um gato amerilinho, listradinho, de porte bem pequeno. Até onde sei da história dele, ele foi achado em uma casa em demolição. Ele estava em estado tão lastimável, que nem sei por onde começar. Algum ser humano boçal teve a coragem de furar os dois olhos dele. Um deles vazou completamente e o outro estava totalmente horrível. O detalhe bizarro da história, e é esse tipo de coisa que me faz ficar indignada e escrever o que disse acima, é que a pessoa que o encontrou era um oftalmologista. Ok, entendo que olhos humanos são olhos humanos e que olhos felinos são diferentes, mas, ainda assim.
              Como é que um oftalmologista não tem coragem de olhar para o estado do gato e ver que era sério? Ou, melhor, por ser um oftalmologista e por ter se proposto a tirar o gato das condições onde estava, por ter visto como estavam os olhos do Bong, como ele conseguiu entregar o Bong para a Tati e nunca mais pedir notícias? Pior, sendo um oftalmologista, como ele não se tocou que o tratamento iria ser caro e que ele, por ter assumido a vida do Bong — porque, para mim, resgatar um gato é assumir a vida desse animal — não se propôs a ajudar de alguma forma, nem que fosse somente com a ração até ele encontrar sua casa definitiva? Olha, fazendo as contas, isso não seria grande coisa. Um saco de Royal Canin Premium de 10 kg sai por mais ou menos R$80,00. Um gato come, quando come bem, uns três quilos por mês. OK, a Sabor e Vida é mais barata, sairia como que R$ 20,00 por mês. É claro que tem gente que vai pensar “Poxa, mas do que ela está reclamando, são só 20 por mês”. Sim, só vinte. Mas tem época em que você fica com nove, dez gatos “temporários” em sua casa, por tempo indeterminado. É só fazer as contas.
              Bem, então Bong, abandonado, em situação péssima, chegou aqui em casa. Ele veio aqui para casa porque a Tati estava com dificuldades em arrumar um oftalmologista veterinário lá pelos lados dela — que, diga-se de passagem, são bem longe dos meus. Ela já me avisou de antemão que o Bong era um gato arisco, que não se misturava com os outros e que vivia em cima de um armário, por ser totalmente avesso a contato humano. Eu nunca havia passado por uma experiência dessas antes dele. Normalmente, todos os gatos que ficam aqui em casa são fofos, coleiros, uns amores. Bong chegou à minha garagem e já se enfiou pelos cantos. Ele não gostava de contato, mas pelo menos aqui em casa ele não ficava escondido nos lugares altos para evitar qualquer tipo de interação. Levamos ao veterinário e então começou o longo processo de reabilitação e socialização. Como foi há muito tempo, nem sei ao certo quanto tempo ele ficou aqui em casa. O que posso dizer é que foi muito, muito tempo mesmo.

              Bong no dia em que foi resgatado, junho-09.

              O veterinário fez uma nova curetagem no olho que ele havia perdido e iniciamos o tratamento para a vista que ainda estava funcional. Quando ele chegou aqui em casa, a Tati me disse que havia suspeitas de que o outro olho pudesse estar daquele jeito por câncer. Depois de n exames, constatou-se que o olho dele havia sido realmente furado, que estava com algumas úlceras e que ele precisaria de diversos colírios e pomadas oftalmológicas especiais.
              Aos poucos, o relacionamento que eu e meu marido desenvolvemos com ele foi fazendo com que ele se sentisse menos intimidado. Claro, ele ainda não chegava perto de nós, mas estava melhorando. Um belo dia, ele veio comer carne na nossa mão. Outro belo dia, ele deixou pegar no colo. Outro dia, ele ficou no colo e não fugiu cinco segundos depois. No outro, ele começou a dormir com os outros gatos do LT. Só que isso tudo não aconteceu de uma vez só. Cada progresso foi sofrido, cada progresso foi extremamente comemorado por nós. Cada um deles foi uma conquista que nos fez querer oferecer mais e mais, mostrar que nem todo humano é um filho da puta, que nem todo mundo vai querer furar os olhos dele, que há gente boa nesse mundo.
              A última cirurgia do Bong foi a que nos deixou mais preocupados. Como o olho dele apresentava uma aderência na membrana, o veterinário teve que fazer uma raspagem e, para piorar a história, teve que dar uns pontos na pálpebra, para não haver nenhum atrito durante a recuperação. Eu e o Adalberto nos desesperamos, afinal de contas, depois de tantos progressos, íamos ter que deixar o Bong cego por uma semana pelo menos. Nessa hora é que eu digo que os animais entendem as intenções das pessoas. O comportamento do Bong não regrediu em nada. Os pontos foram tirados dos olhos dele e a recuperação foi inacreditável. Nunca ficaria 100%, mas foi incrível. Mas o mais incrível aconteceu na hora em que resolvemos dar um banho nele. Nunca havíamos nos metido a dar um banhinho, porque não queríamos que ele ficasse estressado. Ah, ledo engano. Talvez, se tivéssemos tentado isso antes, quem sabe tudo teria acontecido mais rápido. Ao mesmo tempo, creio que devemos dar tempo ao tempo, porque as coisas acontecem quando têm que acontecer. Depois do banho, como todo mundo sabe, devemos enxugar o gato e depois secar. Quando meu marido colocou o Bong no colo e começou a esfregá-lo com a toalha, ele se abriu todo. Não ronronou, mas ficou, se deixou tocar, aceitou o toque, o carinho, a dedicação em sua totalidade pela primeira vez.
              Não preciso dizer a alegria que sentimos. Para completar, ainda apareceu uma pessoa interessada em adotá-lo. Como o tratamento ainda não havia terminado, pedimos que ela esperasse. Ainda assim, a cada semana, sentíamos um medo terrível que essa pessoa mudasse de idéia, afinal de contas, foi dito a ela que o Bong era traumatizado, que não tinha um olho e que o outro estava comprometido. Mas que nada! O mundo não é feito só de irresponsáveis. Existe muita gente boa no mundo, muita gente que quer dividir o amor que carrega no peito com os bichos e ela perseverou, esperou até o fim do tratamento, pacientemente, perguntando sempre para a Tati sobre ele, pedindo notícias e sempre reiterando seu interesse pelo nosso Bonguinho.

              Bong, antes arisco e hoje confiante! Na foto, no colo com a Tati, sua dona.

              O dia em que fomos entregá-lo foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Olhei para o casalzinho, dois jovens recém-casados, vestidos de preto, numa casa pequena e com dois outros gatinhos. Imediatamente apertei a mão do meu marido e ele me entendeu. Nós estávamos nos enxergando ali, sim, éramos nós, só que há muito tempo atrás. As roupas, o desejo de vencer na vida, o amor para com os animais. Nada no mundo paga a felicidade que eu vi no rosto dos dois, o amor que demonstraram pelo Bong de imediato, um bicho que nunca haviam visto na vida, mas que decidiram adotar para sempre.

              Bong no novo lar.

              O mais engraçado é que minha intuição estava certa. Fiquei sabendo pela Tati que hoje eles têm treze gatos, exatamente o mesmo número de gatos que tenho aqui em casa…

              Bong dormindo feliz com seus amigatos!

              ========
              Não é demais?
              Como a gente costuma dizer, era uma vez uma pessoa que não sabendo o que era impossível, foi lá e fez.
              À Ale e Adalberto, todos os muito obrigadas que eu posso dizer são poucos perto do quanto já fizeram pela Confraria e por tantos gatos sortudos que passaram pelo caminho deles.
              Vem prá cá você também! =))
               

              Artigo: por que tantas exigências para adotar um gatinho?!

              Há algum tempo venho pensando neste assunto e hoje resolvi um artigo mais minucioso sobre ele: a razão de algumas exigências na doação de animais.

              Alguns itens são auto-explicativos como: telas em todas as janelas em caso de apartamento, muros bem altos e portões que impeçam fisicamente a saída do gatinho, ração de qualidade, atendimento veterinário. Porém, esta é só uma parte do ato de adotar: essas são exigências mínimas que visam garantir a integridade física do gatinho que está por chegar.

              Porém, tão importante quanto a integridade física é a psicológica. É aí que nossas condições já não são tão bem recebidas como as citadas anteriormente pois, num primeiro momento, soam como exageradas ou invasivas demais.

              Tentarei dissecar uma a uma, mas sinta-se à vontade para comentar, perguntar, questionar ou pedir maiores informações sobre, ok?

              - Não doamos gatinhos com menos de 4 meses para viver sem a cia de outro gatinho.

              Por maior que seja nossa atenção e por mais que brinquemos com eles, há coisas que felinos só aprendem entre si. Tomo a liberdade de citar um trechinho do artigo “Medicina Comportamental: Agressividade” do Dr. Reginaldo Pereira, Medico-veterinário Especialista em clinica e cirurgia de felinos, Membro da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos):

              “A gata mãe e outros adultos, se presentes, têm papel importante na moderação do filhote; estes aprenderão a controlar a força das suas mordidas, aprenderão o que é a frustração, ou o “não” verdadeiramente dito, como nos períodos em que a mãe faz o desmame. Sem esse contato,o filhote pode se tornar bem impulsivo e nervoso.”

              Tomo a liberdade desta citação pois além de ser imparcial vem de um especialista em felinos. Ou seja: por mais que a gente ame, aperte, brinque ou ralhe, quem vai realmente socializar um gatinho é um semelhante. É com outro que ele aprenderá a medir a força das brincadeiras e das mordidas. Quantos casos não lemos de gatinhos que são brutos ao brincar, que machucam e que mordem com força? Muitos. Isso certamente poderia ser evitado se o gato tivesse convivido com outro gato que pudesse lhe impor limites.

              Quando doamos um gatinho, não nos preocupamos só com o agora: buscamos entregar um bichinho que possa se adequar à vida que lhe é oferecida e com o melhor que for possível. Queremos que ele seja o mais adaptável possível, que seja sociável e que o convívio com ele seja tão prazeroso quanto puder ser. É por esta razão que, pensando no futuro, optamos por nunca doar gatinhos tão novos para casas que não tenham outros gatos ou, caso não tenha, que o adotante não queira adotá-lo junto com um amiguinho.

              - Caso o candidato a adoção escolha um gato por foto cujo temperamento sabemos não ser ideal para o perfil do adotante, não doamos.

              No questionário de adoção há perguntas muito pessoais e que nos ajudam a concluir se o gatinho tem uma personalidade adequada à casa do adotante. COmo cuidamos muito de perto dos nossos gatos, sabemos exatamente o jeitinho de cada um deles. Diversas pessoas escolhem seus gatinhos por fotos e não há nada de errado com isso, mas é preciso respeitar também os limites dos dois lados. Muitas vezes aquele lindo gato azul não tem um temperamento adequado para conviver com crianças, por exemplo. Isso pode se dar por diversos fatores: pela personalidade, pelo histórico, pelo ambiente, etc. Sabemos – e respeitamos – que muitas adoções (bem sucedidas inclusive) acontecem porque o adotante ’sonha’ com um gatinho amarelo e busca um para adotar. Jóia, isso é legal sim, porém é preciso atentar para que esse animal corresponda às expectativas e ao ambiente que se tem a oferecer para ele.

              Quando vetamos uma adoção por esta razão temos em mente que é nossa obrigação tentar acertar o máximo possível tanto para o gatinho quanto para o adotante e, neste caso, sempre buscamos indicar outras alternativas que mais se encaixem no estilo de vida tanto do candidato quanto do gato.

              - Optamos por não doar animais para outros estados.

              Isso também baseia-se na nossa experiência mas visa principalmente a segurança de estarmos por perto e podermos agir imediatamente caso algo dê errado. Sim, mesmo com todas as nossas exigências, coisas ruins acontecem.

              Mesmo estudando o perfil do adotante e do gatinho, mesmo observando todas as regrinhas de bom convívio e segurança, pode ser que o adotante mude de idéia ou que algum problema surja com o gatinho na nova casa que leve o adotante a devolvê-lo. Se ele estiver em outro estado, como faremos para retirá-lo? E se precisar de uma intervenção nossa (muitas vezes esses entraves são problemas contornáveis com a nossa presença e dicas in loco sobre a adaptação), como faremos se estivermos longe? Não dá. Também por esta razão nossas adoções são somente onde nós podemos ir com relativa facilidade (São Paulo/Capital, cidades vizinhas e ocasionalmente Baixada Santista).

              - Quando temos um gato onde apontamos que ele precisa ser filho único, ou seja, é geralmente um adulto cuja adaptação com outros já tentamos e não funcionou, não o doamos para quem tenha outros gatos.


              Acreditem, muitas vezes perdemos adoções por não arriscarmos (mais!) uma adaptação que já sabemos não funcionar. Quando descrevemos que aquela linda gata branca lindíssima não tolera a presença de outros gatos, é porque tentamos por N vezes apresentá-la a outros, introduzí-la a outras sociedades felinas, sem sucesso. Quem é que quer ter um gato tão exigente? A gente não quer isso, mas quando acontece, respeitamos. O primeiro princípio de uma relação sadia é o respeito, não é? Então. Isso aplica-se também à nossa relação com os animais.

              Pode ser que depois de anos adaptada num espaço a linda gata aceite outro filhote? Sim, pode mas a gente sabe que no stress da adaptação dela ao novo lar, num primeiro momento, isso não vai acontecer. Portanto, quando topar com um caso desses, saiba que a ONG não ganha nada mantendo um gatinho tão exigente em lar temporário e que a gente queria muito uma casa para ele, mas infelizmente não temos o direito de subemtê-lo a algo que vai além dos limites dele.

              Lembre-se que nossas exigências se pautam tanto na nossa experiência quanto na atualização constante a que nos submetemos. Não são divagações, são posturas que tem também embasamento científico. Há quem se aborreça com tanta exigência e essas pessoas certamente conseguirão, de outros protetores ou mesmo de proprietários, adotar um gato em condições que nós recusaríamos. Não julgamos essas pessoas, afinal, cada um faz como lhe parece correto – dentro de um mínimo de bom senso -, mas saiba que seguindo algumas regrinhas simples, o convívio com seu novo amigo felino tem muito mais chances de ser o melhor possível.

              Por enquanto é isso. Fiquem à vontade, como eu disse antes, para perguntar e comentar o que quiserem. Em breve escrevo mais sobre o tema.

              Muito obrigada e até mais!

              Tatiana.

              P.S.: É permitido copiar esse texto desde que a fonte e o site sejam citados. Obrigada =o)

               

              Minha casa é toda telada…

              “Minha casa é toda telada, dou RC para meus gatinhos….”

              Quantas vezes nós aqui da Confaria recebemos um email assim, mostrando que a pessoa que quer adotar uns dos nossos gatinhos tem as exigências que nós pedimos….

              Quando chegamos na casa do adotante, vemos que tudo era verdade e além de tudo o adotante tem arranhadores, brinquedos e muito amor para dar. Deixamos os gatinhos lá e ficamos tranquilas, pois cumprimos nossa missão e ele nunca mais vai saber o que é rua, o que é fome, o que é pulga….

              Infelizmente isso nem sempre é uma realidade!
              Hoje vou contar a história de Neko, um gatinho lindo que vou doado por uma ONG com os mesmos príncipios que a Confraria, que tomou o máximo de cuidado com esse gatinho mas, infelizmente tem coisas que fogem do nosso controle.

              Neko vive em uma casa grande, toda telada, comia ração super premium, tomava banho no pet shop, tinha amor, carinho…até que um dia sua dona resolveu ter um gato de raça, aí comprou mais um, mais um…..e Neko começou a ser esquecido….

              Um dia vi Neko na rua e achei estranho…afinal a casa aonde ele mora é toda telada!!! Levei ele de volta mas, no outro dia ele tava na rua de novo…

              Liguei para sua dona e ela me disse que nao conseguia segurá-lo em casa que ele “era muito rueiro”. Mas como ele fujia se a sua casa era toda telada? Ahhh “ele foje por um buraco na tela”…Eu disse: Então fecha!!!

              O curioso é que os gatos de raça não escapam, mas o Neko que é um lindo gato SRD escapa todos os dias…
              Neko vem na minha casa comer, mia até eu dar comida e come uma tijelinha inteira!!!Incrível como sua dona ainda tem coragem de me dizer que coloca comida para ele…Então porque ele vem morto de fome até a minha casa???

              Ele está muito sujo, com feridas, muitas pulgas…e não tem nem uma colerinha de identificação!

              Fico indignada com essa situação! Conversando com a Tatis ela me orientou fazer o que está ao nosso alcance por ele!
              Dou a mesma ração que ele deveria ter para comer na casa dele…
              Vou levá-lo para tomar banho e aplicar um anti-pulgas e dar uma colerinha de identificacao para ele…

              Neko é um gato superrrr manhosooo de ficar se esfregando, querer colo toda hora…não chega nem perto de ser um gato feral…é um gatinho de SOFÁ!!!Merece estar em um SOFÁ e não na rua!

              Sofre preconceito pela sua própria dona por não ser um gato de raça, por não valer R$1.500 como os outros…Porque nós vivemos em um país capitalista aonde as pessoas cada vez mais só pensam em dinheiro!!!!

              Gato é gato!!! Não importa o quanto se pagou ou por quanto se vende!!! O valor de um gato está muito acima de dinheiro…
              Eu tenho 2 lindos gatinhos sem raça que um dia viveram na rua e hoje tem uma digna vida de gatinho de SOFÁ!!! São os bens mais preciosos que tem na minha casa! Mais valiosos que meus brincos de ouro…mais valiosos que minha Tv de plasma….mais valiosos que meus cristais da Swarovsky que eu gosto tanto!!! São meus anjinhus….são minha VIDA!!!

              Fica aqui minha indignação….

               

              E o céu ganha mais uma estrela…

              Só quem tem animal de estimação, e que o trata como membro da família, sabe como é triste, sofrido e doloroso perdê-lo.

              Há dois dias, o céu ganhou mais uma estrela, a linda preta, a Sabina, uma das gatinhas da Tatis e do Cris, que há quase dois meses vinha batalhando pela vida, como grande guerreira, que sempre foi, mas infelizmente Sabina partiu, e deixou não somente a Tatis e o Cris, sem chão, tenho certeza que todos que conhecem estes iluminados seres humanos que são eles, também ficaram muito tristes com esta perda.

              [img:sabina_1.jpg,resized,centralizado]

              Tatis e Cris,

              Palavra alguma neste momento vai amenizar a dor que vocês estão sentindo, somente o tempo, poderá amenizar.
              Sabemos que vocês fizeram o possível e o impossível pela Sabina, e que ela, partiu deste mundo, conhecendo o amor incondicional que vocês deram a ela, tenham isto sempre em mente!
              Ela cumpriu neste mundo sua missão, e com certeza, foi feliz, ao lado dos melhores donos que ela poderia ter!

              Fiquem em paz, queridos!

              Obrigada a todos!

              Aqui, o depoimento da Tatis, para a Sabina:

              “Minha Sabina, minha peta.
              Eu sempre soube que um dia perderia alguém, mas ter perdido ela foi como perder o brilho para algumas coisas na vida.
              A saudade deve amenizar um dia desses, mas o rombo que ficou no meu coração não deve fechar nunca.
              Sabina veio de um lugar medonho ainda muito bebê e já muito doente também, mas ainda miúda me ensinou a me dedicar a uma vidinha para que ela pudesse fazer a parte dela: resistir.

              Ao longo desses cinco anos é a única dos meus gatos todos que só confiava em uma pessoa: em mim.
              Só interagia com uma pessoa: comigo.
              Sempre soube o que Sabina queria pelo olhar, e sempre entendi e atendi suas manias caprichosas também pelo olhar.
              Conhecia cada tom do seu miadinho rouco, e no dia em que notei que ela estava doentinha foi infalível, apesar de tudo dizer o contrário.
              Fizemos o que pudemos, você teve todo o suporte meu amorzinho, e o que coroa a sintonia enorme que nós tínhamos é que você se foi no meu colo, você me avisou que iria.

              É uma honra que não tem tamanho ter sentido que você quis viver comigo e quis compartilhar comigo a sua vidinha.
              Que você confiou em mim até o último instante, e que por um dos seus enormes caprichos, permitiu que as minhas mãos estivessem sobre você, sentindo o momento exato do fim do suplício que estava sendo para ti esses últimos dias.
              No carro, eu, seu pai e você, e você esteve ali conosco.
              Não dá pra medir o tamanho do meu amor por você filha, e nem a honra que foi ter te visto crescer forte e linda.
              Meu maior amor do mundo a você querida, e toda a saudade do mundo também.

              Te amo, amor preto.!”

               

              A saga da doação do Gary: bicho não é presente e gato persa não é troféu.

              Boa noite, pessoal.

              Gostaria hoje de publicar um artigo que há muito tenho vontade de escrever, mas ele acabou por abranger dois assuntos dada a situação que me motivou a escrevê-lo.

              O primeiro assunto é a dificuldade em doar um animal de raça. O segundo é a mentalidade que as pessoas têm ao acharem que um animal pode ser um presente.

              Quando tenho um animal que seja de alguma raça ou que tenha alguma necessidade especial (albinos, surdos, etc), a doação dele é absurdamente difícil. Por diversas vezes estive encarregada de doar persas, maine coons e até mesmo um british shorthair, e foram as doações que mais me demandaram tempo, trabalho e sossego.

              Todo mundo se anima a ter um persa. “De graça” ainda por cima, que maravilha! Porém são poucas as pessoas que enxergam um animal como um ser vivo que merece respeito, cuidado e amor como qualquer outro; poucos enxergam um gato desses como um gato e não como um troféu.

              Nunca fui contra uma pessoa optar por ter um animal de determinada raça ou aquele sem raça definida. Acho que cada adotante deve ter ciência de suas condições de espaço e tempo. Tratando-se principalmente de cães, muitas vezes a noção do tamanho que o animal terá ao tornar-se adulto é fundamental na adoção. Também nunca critiquei quem opte por comprar um animal, desde que o faça de maneira consciente e de criadores decentes, não cachorreiros ou petshops irresponsáveis.

              O que sou contra é uma pessoa querer um animal só porque ele tem uma raça sem preocupar-se se é capaz de oferecer o que ele precisa com relação a cuidados específicos. É querer um troféu, e não um gato.

              Apesar da quantidade de pessoas que se candidataram para adotar o último persa que doei (53 pretendentes), levei um mês para conversar com essas pessoas, entrevistá-las e na maioria das vezes, recusar a doação. Ouvi desaforos dos tipos que vou citar abaixo – exatamente da maneira (escrita, inclusive) que recebi:

              “Gostaria muito de adota-lo mais com essa frescurada toda, vendo se eu quiser adota-lo de verdade, percebi que nao terei sussego com os antigos donos”

              e também:

              “ah e como pode saber quanto temos em conta corrente ” a ração é cara” enfim tente cometer menos gaffi em outros contatos.e até nunca mais.”

              Isso tudo porque no primeiro caso eu sequer fiz algum contato: a pessoa olhou o anúncio e deu-se ao trabalho de me escrever isso. No segundo caso, a pessoa dizia que tinha quatro cães e que o gato era presente para a sobrinha, e eu então expliquei com a maior educação do mundo que não podemos dar animais de presente, que eu precisaria conversar com os pais da menina para saber se eles estavam de acordo e se eles tinham consciência dos custos para manter um persa e, estando eles dentro dos nossos critérios, eu doaria o gato com todo o prazer.

              É aí que entro no segundo assunto: a mania que as pessoas tem de achar que bicho é presente.

              Vida não é presente. Não se dá um animal de presente sem que o presenteado saiba, não se faz surpresa com uma vida. Serão quinze anos de cuidados constantes, e não é possível ‘presentear’ alguém com algo que lhe dará ‘trabalho’ por quinze anos. O compromisso é enorme!

              Também sobre isso, recebi a seguinte resposta (igualmente reproduzo da maneira exata como recebi):

              “pode ser presente sim porque quando vamos ter filhos dizemos ter recebido um presente de deus,e o animal tembem só não disse a ela para não causa-le ansiedade.mas tudo bem doe a quem pensar como vc porque assim se sentirá melhor, para nossa família a vida é um presente de deus!!!!!!!!!”

              Um enorme problema em lidar com as pessoas nessa escala é que elas sempre pensam que nossos critérios são pessoais. Que quando informo o preço da ração, vacinas, banhos e tudo o mais, na verdade estou insinuando que elas não tem dinheiro para manter o gato e não é nada disso.

              Outro problema é que muitas vezes as pessoas não entendem que bicho não é brinquedo. Bicho não pode ser trocado quando quebra. Bicho não tem certificado de garantia e não dá pra repor peça. E mais ainda, animal não é presente surpresa para criança alguma sem que os pais saibam disso.

              Por incrível que pareça, é bem mais fácil doar um vira-latinha (SRD) do que um gato “de raça”.

              Acabo doando o gato geralmente para pessoas que tem condições e conhecimento para comprar um, mas optam por adotar ou ainda para adotantes que já têm gatos nossos. Muitas são as pessoas que nos procuram e que não tem a menor condição de ter animal algum, mas não posso dizer isso com todas as letras, e nem é necessário.

              O que lamento é saber que em outras situações e com ‘protetores’ menos criteriosos, animais são doados somente para ter uma chance de sair do ruim pro menos pior. Quantos abandonos não vemos por aí porque proprietários não se encaixam no que o animal precisa, ou quando o animal não tem o perfil que o adotante busca?

              Temos exigências básicas para doar um gatinho (apartamento telado ou casa igualmente segura, ração de qualidade, veterinário quando necessário), mas quando exigimos algo a mais para algum gato em específico, não é à toa: sabemos do que falamos. Quando exigimos, além de respeitar os limites e necessidades do animal, também baixamos a quase zero as chances de a adoção dar errado.

              O Gary mesmo (o ultimo persa) exigia uma casa sem outros animais, quaisquer que fossem eles. Ainda assim a quantidade de pessoas que tentaram adotá-lo tendo outros gatos/cães – mesmo tendo deixado isso muito claro no anúncio – foi enorme. Os argumentos iam de

              “eu darei a ele muito carinho e ele não terá ciúmes, vou mostrar a vocês como é que se cuida de um gato”

              até o

              “tenho outros seis ‘perças’ mas eles não vivem dentro de casa, só este viverá”.

              Ou seja, perdem o tempo delas e o nosso também, pois mesmo aos contatos mais absurdos eu respondo.

              Enfim, doar um animal demanda tempo, paciência, experiência e principalmente discernimento (e também algum conhecimento) para não preocupar-se em doar o bicho somente para que a pessoa não se magoe. Tenho ótimos amigos que são péssimos adotantes, e por duas vezes recusei-me a doar gatos a eles. Não tenho qualquer problema em dizer isso. Muitas foram as vezes que um candidato não atendia às nossas exigências mas quis adaptar-se colocando telas nas janelas, adquirindo ração adequada ou castrando os animais que já tinham em casa. Felizmente esse número de pessoas cresce constantemente, para nossa alegria =o)

              Para finalizar a história, o Gary hoje vive num lar em que reina sozinho e tem a companhia de duas crianças (ele adora crianças), e sua proprietária atendeu a todas as nossas exigências. Em quatro dias de casa nova ele já está bem adaptado, come bem e leva a vida que precisava. E, mais uma vez, é reflexo da máxima que tenho comigo de jamais arriscar a vida de um animal para agradar uma pessoa, seja ela adulta ou criança. Aquela vida, para mim, está em primeiro lugar.

              Grande abraço a todos e obrigada pela visita!

              Tatis.
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              Hoje resgatei um humano.

              “Os seus olhos encontraram os meus, enquanto ela caminhava pelo corredor olhando apreensivamente para dentro dos canis. Imediatamente senti sua necessidade e sabia que tinha de ajudá-la. Abanei minha cauda, não tão entusiasticamente para não assustá-la.

              Quando ela parou em frente ao meu canil, tampei sua visão para que não visse o que eu tinha feito no canto de trás. Não queria que ela soubesse que ninguém ainda havia me levado para um passeio lá fora. Às vezes, os funcionários do abrigo estão muito ocupados e não gostaria que ela pensasse mal deles.
              Enquanto ela lia as informações a meu respeito, no cartão pendurado na porta do canil, eu desejava que ela não sentisse pena de mim, por causa do meu passado.

              Só tenho o futuro pela frente e quero fazer diferença na vida de alguém. Ela se ajoelhou e mandou beijinhos para mim. Encostei meus ombros e minha cabeça na grade, para confortá-la. As pontas de seus dedos acariciaram meu pescoço; ela estava ansiosa por companhia. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e, então, elevei uma de minhas patas para assegurá-la de que tudo estaria bem.

              Logo, a porta de meu canil se abriu e o seu sorriso era tão brilhante que, imediatamente, pulei em seus braços. Prometi mantê-la em segurança. Prometi estar sempre ao seu lado. Prometi fazer todo o possível, para ver aquele sorriso radiante e o brilho em seus olhos…
              Tive muita sorte dela ter vindo até meu corredor. Há ainda tantas pessoas por aí, que nunca caminharam por esses corredores… Tantas para serem salvas… Pelo menos, pude salvar uma.

              Hoje, resgatei um ser humano!”

              Autor desconhecido.

              =====

              A todos um bom final de semana :)
              [img:klaus.jpg,full,centralizado]

               

              Despedida

              Hoje quero colocar aqui o depoimento de uma pessoa que numa sexta-feira 13 perdeu para a morte seus dois melhores amigos: seus cães.

              Juliana é, além de minha irmã de sangue e de coração, uma pessoa que compartilha comigo as ações e os pensamentos sobre os animais. Já perdi as contas de em quantos resgates participamos juntas, quantos bichinhos cuidamos, levamos pra castrar, medicamos… Quantas perdas choramos juntas, não se dizer. E quantas vitórias também, ainda mais.

              Ela tinha quatro cães: Chico (o primogênito, 5 anos, adotado com 30 dias), Zélia (vovozinha de 9 anos, adotada aos 7, a matriarca da casa), Ogum (dois anos, sobrevivente de parvo numa ninhada inteira) e Bruce (14 meses, o maior, mais banana e caçula da casa).

              Sempre que vejo pessoas desfazendo-se dos seus animais porque precisam se mudar, penso no que a Ju fez. Ela morava com meus avós quando chegou o Chico; houve um momento que a casa já era pequena para ela e o Chico juntos, e ela então alugou uma casa para ela. A maior dificuldade é que a casa deveria ter quintal, afinal o Chico precisava de espaço. E assim foi.

              Uma moça morando sozinha e seu cachorro. No ano seguinte veio a Zelia, pois o Chico ficava muito sozinho. No próximo ano veio o Ogum, e a família ficou completa. Ano passado veio o Bruce, irmão do meu Klaus, e então a família ganhou mais um membro e fechou.

              Este ano foi preciso alugar uma casa maior, com mais espaço para os cães. E assim foi feito, mas dois deles não puderam viver na casa nova. Não puderam por essas desgraças que acontecem no mundo e que a gente nunca entende.

              Ontem Chico e Ogum partiram desta vida. Foram juntos, e o último olhar que viram foi da mãe deles. Eu pessoalmente não sei dizer o quanto me dói imaginar que o Nego (Chico) não está mais aqui; o coração berra, berra. Ogum então nem se fala.

              A Ju não é de muitas palavras, mas hoje li este depoimento em seu perfil e não pude deixar de colocar aqui. Divido nossas alegrias sempre com nossos leitores, amigos e colaboradores e hoje não foi diferente. Não é alegre, nem é feliz, nem tem como ser… Mas vem do fundo do fim do coração.

              Fica aqui minha homenagem aos nossos dois amados filhos… Nada do que se faça poderá amenizar a dor da perda de vocês, amores. Nada.

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              Aqui, o depoimento da dona deles, a Ju:

              Dedicatória as criaturas mais amadas do Mundo que hoje se foram….viraram estrelas..nesse imenso céu..ainda cinza…13/02….certamente o mais triste da minha vida.

              Aos meu dois gdes amores escreverei as coisas que estão passando pela minha cabeça, numa tentativa de aliviar uma sensação de vazio estranha … tenho certeza de que sabiam de tudo isso e muito mais…sentiam isso pois todos os dias nos diziamos isso, sem dizer apenas uma palavra…as coisas mais importantes nos dissemos a cada carinho, cada agrado, a cada olhar, por mais breve que fosse.

              Amores…Devo a vocês meu conceito de amor, de lealdade, de respeito, de companheirismo…segui minha vida e vivi pra vcs todos os dias da minha vida..até enquanto a vida nos permitiu que ficassemos juntos. Não me arrependo de nd…não lamentto por nenhum risco no carro, por nenhum latido que tive q corrigir, por nenhuma reclamação de vizinhos…rs…por nd. Minha recompensa estava em cada recepção..em cada pulo, em cada bolinha que me traziam, em cada ossinho q a quanto custo conseguimos fazer juntos a nossa gde proeza: sentar! Quantas coisas passmos juntos não é!!! Quanto orgulho…Ogum q sobreviveu a pior das parvoviroses q já existiram no Mundo…quanta vontade de viver né garoto!! E por ter conseguido resistir a tanta coisa ruim, teve anhonra de fazer parte da nossa familia!!!Chicão que já latia aos um mês de idade..sempre imponente e nervoso…protetor..que guardiões eu tive não é! Quanta lealdade…Quanta gente te amava garoto…eras tão importante que não imaginaria o quanto!!!

              Aos meus dois amores Chico e Ogum, todo o meu amor. Devo a vcs tdas coisas que tenho e que sou…, e dentre todas elas, devo a vcs muita coisa do que sou hoje. Símbolos de dedicação, lealdade, amizade, companheirismo e o mais puro e lindo dos amores: o amor de um cão. Quem nunca o teve, não sabe o q significa. Tê-los em minha vida foi um presente. Uma pena q tenha sido por tão pouco tempo. Mas sei que esse tempo, por pouco q possa parecer foi o suficiente pra encher minha vida de alegria e de segurança. Isso é o q representam e representarão sempre. Meu coração hoje está partido em dois. Nós 4 eramos apenas 1. Hoje , sem vocês chove muito. O céu está cinza e me sinto um pouco enjoada. Consequencias físicas de uma saudade que dói no corpo. Sei q esse desconforto físico passará mas o vazio e a saudade ficarão para sempre. Hoje, eu Zélia e Bruce estamos aqui …calmos mas despedaçados.
              Calmos porque sabemos que estão bem onde quer q estejam…a paz finalmente voltou ao coração de vcs.

              Embora tenhamos que ter coragem pra enfrentar essa nossa nova vida sem vocês confesso que ainda não nos acostumamos e nao está sendo nd facil.

              Acredito q esse dia nunca chegará pois a falta que fazem é imensa.
              Tentaremos viver uma vida nova a partir de agora pois é assim que o Mundo exige.
              Hoje temos novos companheiros mas nunca , jamais nos esqueceremos de vcs porque seria como se nos esquecessemos tbm, afinal éramos apenas um.

              Espero ter sido pra vcs meus amore, um terço do que foram pra mim…espero ter-lhes provado o quanto os amava, até o último segundo da vida de vcs…nossos olhares se cruzaram até o ultimo segundo e não esquecerei nunca este dia tão triste pra nós.

              Ter perdido vcs é ter um pedaço a menos mas tentei oferecer a vcs a melhor vida que poderiam ter e sei que fiz tudo pq vcs não mereciam nada menos do que isso.

              Descansem em paz meus amores.

              Com todo o amor do Mundo, descansem em paz.

              Chico, meu negão, meu garoto….Ogum, meu Niara..meu filhinho…meu Zé Manézinho…amarei vocês pra sempre…jamais os esquecerei.

              Vcs não eram apenas cães..eram amigos leais, companheiros, gentis, fortes, lutadores, fiéis, …..se foram cedo demais…

              Um bj no coraçãozinho, agora calmo, de vcs.

              A vcs três palavras: Amor, lealdade e coragem.

              Obrigada mãe, pai, Tati, Donna, Lú,Cris,Zélia, Bruce.vó.Dra Lisandra…que estiveram comigo agora…

              Saudades …

              Obrigada a todos.

              Quem sou eu? Eu hoje sou Saudade.

               

              Amor incondicional

              Provavelmente muitos já leram isso, mas vi hoje e o texto me tocou profundamente.

              Deixo-o como uma espécie de “pedido” para 2009.

              Grande abraço a todos!

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              Os 10 pedidos de um cão

              1)Minha vida dura apenas uma parte de sua vida;
              qualquer separação de você significa sofrimento para mim. Pense muito nisso antes de me adotar.

              02) Tenha paciência e me dê um tempo para que eu possa compreender o que você espera de mim. Você também nem sempre entende imediatamente as coisas.

              03) Deposite sua confiança em mim, pois eu vivo disso e vou compensá-lo por isso mais do que ninguém.

              04) Nunca guarde rancor de mim se eu aprontar alguma, e não me prenda “de castigo”.Você tem outros amigos além de mim, tem seu trabalho e seu lazer – mas eu só tenho você.

              05) Converse comigo. Eu não entendo todas as palavras, mas me faz bem ouvir sua voz falando só para mim.

              06) Pense bem como você, seus amigos e visitas me tratam. Eu jamais esqueço.

              07) Também pense, quando você quiser me bater, que eu poderia facilmente quebrar os ossos da mão que me machuca, mas que eu não lanço mão deste recurso.

              08) Se alguma vez você não estiver satisfeito comigo, porque estou de mau humor, preguiçoso ou desobediente, imagina que talvez a minha comida não esteja me fazendo bem ou que tenho estado muito exposto ao sol, ou que meu coração já está um pouco cansado e fraco.

              09) Por favor, tenha compreensão comigo quando eu envelhecer. Não pense logo em me abandonar para adotar um cãozinho novo e bonitinho. Você também envelhecerá.

              10) E quando chegar meu último e mais difícil momento fique comigo. Não diga “não posso ver isso”. Com sua presença tudo fica mais fácil para mim.
              A fidelidade de toda a minha vida deveria compensar este momento de dor.