Oi pessoal,
Hoje vou publicar o depoimento da Joana Bortolozzi, mamãe do Tarso Augusto.
Fiz a leitura na comunidade do Orkut Gatos – Manual de Instruções e achei incrível, uma bela reflexão sobre o que realmente envolve uma adoção – ainda mais quando observamos devoluções esdrúxulas como essa e essa. Espero que vocês gostem!
Obrigada e até mais,
Tatis.
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Antes de DEVOLVER aprenda a AMAR!
Por Joana Bortolozzi
Bom gente, eu resolvi criar esse tópico para contar a história do meu filho porque, assim como ele, que já havia sido adotado e devolvido, muitos outros gatos acabam voltando para jaulas e até para a rua por que muitas pessoas não têm paciência para ensiná-los, ou quem sabe, não têm amor o suficiente para esperar que eles aprendam.
Tarso é o nome dele. Tarso Augusto é como o chamo quando ele apronta.

Conheci meu pequenino há quase 1 ano. Ele era filhotinho e havia acabado de chegar no Pet Shop depois de ter sido tirado da rua todo machucado. Medroso, me lembro que ele tinha a patinha com algum probleminha pois saia sempre do lugar e já apresentava seqüelas das crueldades cometidas contra ele, pois não tinha muita coordenação e o olhinho esquerdo chegava a aparecer quase todo o branco de tão vesgo que era.
Quando eu levava a Chayla, minha Persa, na Dra. Juliana, lá estava o Tarso na jaulinha todo pequeninho. Meu coração doida ao vê-lo junto com um outro gatinho que também havia sofrido nas mãos de algum psicopata e não poder levá-lo.
Minha mãe já havia surtado quando apareci com a Chayla em casa (um apartamento grande, mas onde já moravam duas cadelinhas), então outro gato estava fora de cogitação, mas mesmo assim, ela decidiu ajudar e todo mês doávamos uma quantia fixa para que ele e todos os outros, tivessem a melhor vida que poderiam dentro das jaulinhas.
Eu continuava indo ao Pet para levar a doação mensal, jornais velhos e o que mais eu pudesse comprar para ajudar e ele sempre estava lá, bastante brincalhão, apesar de um pouco arisco.
Os meses foram passando, ele cresceu e como estava difícil para ser adotado, (quase 1 ano, preto e com problemas mentais) acabou indo para os fundos, dando lugar aos novos que chegavam e ficavam nas gaiolas da frente e como não o via mais, imaginei que tivesse sido adotado e naquela coisa de “O que os olhos não vêm o coração não sente”, decidi nem perguntar sobre ele e assim foi, até que um belo dia, ele estava de volta as jaulas da frente e isso me deixou muito chateada e resolvi perguntar por que ele estava de volta.
Ele já havia sido adotado e uma semana depois, devolvido por que dava muito trabalho. Fazia as necessidades em todo e qualquer lugar da casa, unhava e quebrava tudo, então, a única solução foi “despachar o bicho de volta”, como uma mercadoria que não era o esperado.
Aquilo me revoltou tanto que naquele dia, cheguei em casa
“soltando os cachorros” e contei o que havia acontecido pra minha mãe e para minha surpresa ela disse: Traga ele…Mas, ele tem três dias para se adaptar.
Hã? Como assim 3 dias? Ele não se adaptou em 1 semana, como vai se adaptar em 3 dias?
Admito que fiquei morrendo de medo, mas mesmo assim, peguei a caixinha da Chayla e parti com minha prima para o Pet adotar o Tarso.
No Pet, ninguém acreditou e a alegria foi geral. Correram para arrumar o Tarso, dar banho, cortar as unhas, mas…Ele havia pegado um fungo na cabeça e como eu já tinha outras três filhas, a vet achou melhor tratá-lo lá mesmo para que as outras crianças não pegassem.
- Tudo bem! Quanto tempo?
– 2 meses!
Só podia ser sacanagem, mas era o melhor.
Durante 40 dias, eu fiquei indo até lá para vê-lo todos os dias e entrava em desespero quando chegavam os domingos e o Pet não abria. Feriados então, eram pura tortura.
No começo ele era um chatinho. Eu tentava pega-lo, mas ele não vinha comigo de jeito nenhum. Eu podia deixar a portinha da jaula aberta que ele não saia de tanto medo que tinha. Eu me sentava de frente pra ele e ficava conversando e fazendo carinho, até que um belo dia, ele saiu direto pro meu colo e se deitou.
Meu coração quase saiu pela boca de emoção. Ele não tinha mais medo de mim, ele confiava em mim.
Eu mal chegava e ele já estava pronto, me esperando para segura-lo e fazer carinho.
Acho que o pessoal já estava quase colocando uma jaulinha pra mim também, até que finalmente a Vet me deu uma ótima noticia:
Tarso já poderia ir embora, mas ainda tinha que manter o tratamento em casa.
Gente, eu não sei dizer o que eu senti. Eu havia esperado tanto tempo por aquele dia e eu estava morrendo de medo. Medo de sei la, ter que devolve-lo, dele não se adaptar ou das meninas não se adaptarem a ele. Minha mãe tem um monte de enfeites pela casa, e a dona Chayla já havia feito o favor de quebrar o cinzeiro de cristal caríssimo da minha mãe naquela mesma semana. Eu tinha certeza que ele faria pior. Eu tinha certeza que ele quebraria a casa inteira, mas eu avisei: Não vou devolve-lo de jeito nenhum! Nem que eu tenha que sair de casa e ir morar em baixo da ponte com o meu filho. Ele é meu!
Finalmente ele foi pra casa e durante duas semanas ficou limitado ao meu quarto, que já era um pouco maior do que a jaulinha que ele viveu por quase 1 ano, mas pequeno demais para abrigar um gato, uma casinha (mansão na verdade), pratos de comida e a litera que fedia absurdamente duas vezes ao dia (nunca vi um gato fazer tanto coco e tão fedido).

Dava nervoso do desespero dele sempre que alguém entrava no meu quarto. Ele não sabia se entrava na casinha, se ia pra debaixo da cama ou se entrava em alguma tomada, mas ele só se acalmava quando me via ou ouvia a minha voz.
A Chayla não podia vê-lo que se ouriçava inteira. A gorda chegou a ficar entalada no portãozinho que colocamos na porta, ao tentar invadir meu quarto atrás do coitado do Tatos e ele entrava em pânico quando as cachorras conseguiam entrar.
Bom, essa loucura durou 2 semanas e eu o agüentei pulando em mim pra brincar às 2h da manha, acordei todas as noites para retirar o cocozinho fedorento e voltar a perfumar meu quarto e o saldo da destruição foi: 1 perfume Jean Paul Gaultier, 2 porta-retratos, 1 aparelho de DVD e alguns sustos na madrugada. Isso foi nas duas únicas vezes que ele pulou em cima da minha estante e arremessou tudo no chão e em apenas dois berros, ele aprendeu que ali não é lugar pra brincar. Não sei se ele entende que “Tarso Augusto” significa “Não se atreva a fazer isso”, mas é só o que eu digo quando ele se preparava para pular, o que nem acontece mais.
Hoje, quase 1 mês depois (apenas), Tarso é a alegria da casa. Minha mãe, que não o queria, já chega perguntando onde esta o “feioso da vovó”.

Ele atormenta as cachorras tentando pegar os cotocos de rabo delas e a Chayla ganhou um companheiro de aventuras e corridas noturnas…Hum, diurnas e vespertinas também – inclusive, nesse momento, acaba de passar um gato preto correndo no corredor…E agora um marrom…

O coco mudou de lugar (graças a Deus) e foi para a área junto com a liteira da Chayla, o portãozinho já sumiu, a casa esta inteira e nada de anormal foi detectado, a não ser o sofá da minha mãe que apresenta alguns fiozinhos puxados, mas que ninguém pode provar que seja ele, já que a nossa gatinha que morreu, a Natacha, nos deixou alguns de herança.
Enfim, bastou apenas algumas doses de paciência, atenção, carinho e de muuuuito amor, para que ele aprendesse e entendesse que nada do que ele pudesse fazer, seria o suficiente para me fazer mudar de idéia e devolve-lo ao Pet.
A Dra. Juliana disse uma vez: – Ele era pra ser seu mesmo!
Eu concordo e ainda digo que não fui eu quem o escolheu. Foi ele quem me escolheu!
Tarso Augusto é a minha vida e mesmo com probleminhas mentais decorrentes dos maus tratos que viveu, ele é absolutamente perfeito!

Se ter uma criança “especial” é maravilhoso, ter um gato “especial” é divino!
ESSE É O TARSO AUGUSTO!!!
Eu sei que o texto ficou grande, mas quando a gente escreve com o coração não tem jeito de resumir e mãe é assim mesmo, né?!